08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Na prática, a teoria é outra


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Todo partido político é idealizado, depois formado para arregimentar filiações, organizado e depois registrado junto à Justiça eleitoral deste País, tendo como parâmetros os seus estatutos (ou ideais), que servirão para a elaboração dos seus programas de governo em todos os níveis da administração pública. Os filiados a esses partidos políticos têm a obrigação (e não apenas o deletério) de fazer política, nem que seja para defender os pontos de vista determinados por seus estatutos, disseminando-os, por todos os meios, perante a população ou comunidade às quais se vinculam. Por todos e quaisquer meios democráticos e, mais que republicanos, constitucionais, eu insisto!

É que se disseminou nesta Ilha de Vera Cruz que fazer política é, apenas, ganhar eleições. Na realidade, ganhar ou perder eleições são conseqüências de competências ou incompetências na difusão dos estatutos de cada agremiação, sobre os quais formulam-se programas governamentais. Não há como negar, entretanto, que a escolha correta dos candidatos a quaisquer cargos eletivos, auxilia muito na semeadura dos princípios filosóficos dos estatutos de qualquer agremiação.

Quedar-se comodamente sobre o muro da incerteza, argumentando que, assim procedendo, evitou-se (ou se evitaria) um racha entre os componentes das naturais e divergentes interpretações de correntes internas (isso é democracia!) nada constrói! O correto é, quando for necessário, analisar os estatutos e parâmetros de conduta dos partidos que postulam apoio e endossar a postulação daquele cujos estatutos e programas de governo mais se assemelham aos do partido abordado para a solicitação do apoio necessário. Danem-se os que não concordarem com tal postura, que, aliás, é a mais democrática e exemplar. Que procurem outros portos onde a balbúrdia e a discórdia são as principais moedas para escambos.

O meu oftalmologista e preclaro amigo, Raul Gonçalves de Paula, presidente do ético e exemplar Partido Verde (PV), não foi feliz na sua resolução a respeito da pretensa neutralidade de seu partido para o segundo turno das atuais eleições municipais.

Não foi feliz, no mínimo, porque estará deixando de participar do secretariado ou do segundo e terceiro escalões do próximo governo municipal (qualquer que seja ele), o que seria a melhor maneira de semear os ideais de um futuro e possível governo do PV, na prática! Por isso mesmo, já diz o vulgo que, “na prática, a teoria é outra”!

Ademais, é de domínio público (este jornal, inclusive, informou) que O PV foi procurado e consultado para solicitações de apoio tanto pela coligação que apóia Caio Coube (PSDB) quanto pela que apóia Rodrigo Agostinho (PMDB, com o apoio de Quércia).

Enfim, há que se mostrar a face, nem que seja aquela a que Cristo se referiu como a que receberia o outro tapa!

No mínimo a direção do PV deveria analisar melhor o arrazoado de Clodoaldo Gazzetta, o candidato que conseguiu 30 mil eleitores para seu partido, e que ofereceu, deveras, a outra face aos que se lhe opuseram... E isso não é de hoje!

João Guilherme Ortolan - RG 10.938.473