10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Newton Aquiles Von Zuben


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Doutor em filosofia, disse em 2003, num dos jornais da província, que “a ética está defasada”. Não consta haver alteração na frase... Pelo menos aquela em que o homem público se obriga a policiar a própria língua. Na dissimulação do tempo, a ocasião proporciona declarações que se alteram com o “andar da carruagem”. Num dos questionamentos feitos ao doutor Von Zuben, com relação à diretriz de como a universidade deve lidar com a formação do cidadão diante das exigências “técnicas” do mercado, o filósofo diz: ”Eu acho que não pode ser uma coisa ou outra. Nós temos que ver a situação num contexto mais amplo. Não é só o mercado, não é só o profissional. Tem muita gente que vai à universidade por gosto, porque tem dinheiro, porque gosta de música, de literatura ou de informática. Eu conheci um ateu na Europa que era teólogo, porque gostava das discussões”. Se a ética ainda se encontra defasada, o que diríamos da coerência dos políticos no falar e dar declarações num contexto de 100 dias, ou seja, do início da atual campanha política no primeiro turno até as vésperas de se iniciar a campanha do segundo turno? Um dos candidatos aqui da província declarou: ”Eu não tenho perfil para ser vereador. Nunca quis ser, não tenho vocação, seria um péssimo vereador. Minha história de vida é focada em ações executivas”. Menos de 90 dias depois da declaração acima, a imprensa repercute declaração desse ex-candidato que afirmou com relação a sua eventual candidatura para deputado: “Se todo mundo falar que tem que ser, eu vou pensar nisso. Mas para isso eu vou precisar me preparar. Não é meu objetivo”.

É o caso de relembrar a famosa frase do imperador Pedro I, porém, sem nenhuma intenção de compará-lo ao “oriundi”. Dos 39 anos vividos até agora, 23 foram dedicados a disputas políticas e em nenhuma delas conheceu o saboroso prazer da vitória. Qual a razão de um partido político que durante 23 anos de sua existência tem continuamente solicitado o sacrifício de um de seus lídimos membros somente pela razão de ter sido um dos seus fundadores na localidade? Quase um quarto de século de existência? O que está por trás dessa “estratégia”?

Nenhuma analogia com o “leão sem dentes”, que durante 26 anos venceu as seis eleições disputadas sucumbindo apenas agora em 2008 e dando exemplo de boa ética e politicamente correto declara “não querer ser convidado para nenhum cargo público”. Que bonito! O jornalista Ricardo Noblat recentemente afirmou: “Quem me dera ter a capacidade dos políticos de darem o dito pelo não dito ou de subverter simplesmente o sentido do que disseram. Bem, aí não seria jornalista, seria político. E, para tanto, me faltam talento e cara-de-pau”. Pois é!

Nicanor Amaro Silva Neto