09 de julho de 2026
Articulistas

O silêncio dos inocentes


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Assistimos à violência atravessar o portão da escola. Oficialmente, 15 de outubro é o Dia do Professor, uma conquista paulista reconhecida nacionalmente em 1963, anos após as primeiras iniciativas para que o valor dos profissionais da educação fosse justamente homenageado. A verdade é que, atualmente, os professores não têm motivo algum para celebrar a data diante da banalização de uma violência que se tornou parte do cotidiano juntamente com o império das drogas, do álcool e do pânico.

A escola virou terra de ninguém. Será que a professora agredida a golpes de porrete tem algo a comemorar? E o diretor, cuja retina foi deslocada pelo padrasto de um aluno? E os ânimos da professora colada na própria cadeira? E a que ficou na mira do revólver de uma aluna, e a que teve o seu carro queimado e a da orelha dilacerada diante da classe? Chegamos a uma violência epidêmica que mutila física e psicologicamente, ao impor, às vítimas, um silêncio assustador por meio de covardes ameaças.

Vivemos marcados pela insegurança num País com uma grande desigualdade social. A palavra de ordem é “ter”. Assistimos a violência das ruas atravessar o portão da escola pública a ponto de desconstituir, por completo, a autoridade do professor. Neste caos, encontramos a razão para toda essa violência: a impunidade. Em muitos casos, menores envolvidos são amplamente amparados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Então, nada pode ser feito. Num dos seus pronunciamentos, o senador Cristovam Buarque indagou: “O que vai acontecer com este País quando os professores começarem a abandonar o magistério por medo?”

Esse mal, que corrói milhares de famílias, de jovens e de profissionais da educação, que cobre de vergonha a sociedade brasileira e cala de medo toda a Nação, exigi ser combatido como peste epidêmica. Mecanismos adequados precisam ser ativados, a fim de que o estudante brasileiro saiba valorizar e respeitar a quem os ensina e consigamos, enfim, viver em meio a uma juventude sadia com direitos e deveres respeitados. Um dos mais importantes conceitos da não violência é não buscar destruir a pessoa, mas transformá-la. A verdade de Luther lutar, até o fim, pela paz.

O autor, Palmiro Mennucci, é presidente do Centro do Professorado Paulista - CPP - São Paulo-SP