(São tantos...Eloá...Isabella, João Hélio...) Como disse uma leitora: é terrível a constatação de que nós, seres humanos, temos o poder de destruir vidas, almas e corações com um simples gesto. O ódio, o estresse, podem até fazer parte de nossos sentimentos, mas não ao ponto de levar-nos a um ato insano, monstruoso. E esse ato ser justificado em nome do amor? Que espécie de amor é esse? Esse “amor” que extrapola a razão, o bom senso, finalizando uma ação com tamanho gesto de ódio; que não entende o valor de uma vida e o dever de preservá-la... Os animais sentem isso, em seus instintos! O que dizer da dor extrema de uma mãe (eu sou mãe e sou amiga de mães que perderam seus filhos) ao ver se esvair desse modo tão estúpido a vida de um filho? Creio que a vida, os sentimentos de segurança, a esperança, os sonhos nunca mais serão os mesmos.
Agora, outro choque - uma decisão que teve que ser tomada em meio ao mar de dor, de dilaceração: a doação dos órgãos. Poucos tomam a decisão assim, num piscar de olhos; é preciso preparação. Mas, felizmente, apesar da dor, da revolta, fala mais alto o gesto divino de solidariedade, do qual tantos e tantos precisam e talvez aquele conforto íntimo em saber que outras pessoas viverão, enxergarão e terão sua saúde de volta através desse gesto.
Para os pais, de algum modo o filho estará presente através da vida de outra pessoas retomada. Para quem está na fila de um transplante, que receberá um órgão, a sensação de gratidão, de sentir a alegria e renovação da esperança e da vida, vinda de alguém que - nesse contexto- não morreu em vão.
Eli Angela C. Camargo