09 de julho de 2026
Polícia

Professor universitário é achado morto com um saco na cabeça

Por Tisa Moraes | Colaborou Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O professor de biologia Hugo Medeiros Garrido de Paula, 33 anos, foi encontrado morto no quarto de seu apartamento no início da noite de ontem, em Bauru. Docente do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Paula foi localizado em sua cama com um saco plástico na cabeça contendo chumaços de algodão embebidos em éter sulfúrico.

Avaliações preliminares da perícia dão conta de que ele deva ter morrido pela manhã por inalação de uma dose letal da substância. Como não havia sinais de luta corporal ou arrombamento em nenhum dos cômodos do apartamento, o caso foi registrado no Plantão da Polícia Civil como morte suspeita – para apurar se ele cometeu suicídio ou foi vítima de homicídio.

Na noite de anteontem, em conversa com um colega de trabalho durante o intervalo de aula da faculdade, o professor teria comentado que estava passando por problemas emocionais desde que havia se separado da esposa. Ontem, embora tivesse de aplicar uma prova a uma turma de alunos, ele não foi trabalhar.

Preocupado, o amigo José Roberto Bosqueiro tentou falar durante todo o dia com professor pelo celular, mas não obteve sucesso. Por volta das 17h30, decidiu ir até o apartamento de Paula, localizado na quadra 3 da rua Francisco Rodrigues Borges, no Jardim Panorama.

Como o Fiat Uno do professor estava estacionado na garagem, subiu até o apartamento 26, onde ele morava há pouco menos de um mês, mas ninguém atendeu. A porta estava trancada, mas uma fresta na janela da cozinha permitiu que Bosqueiro entrasse no local, com a ajuda de duas moradoras do prédio.

Ao chegar ao quarto, os três encontraram Paula já sem vida, na cama, ao lado de um vidro quase vazio de éter sulfúrico. Conforme o JC apurou, a substância é largamente utilizada por cientistas da área biológica para anestesiar e sacrificar cobaias em experimentos.

Por volta das 18h, uma viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local, mas já não havia nada a ser feito. Logo depois, equipes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), do 4º Distrito Policial (DP) e da Polícia Científica foram acionadas para trabalhar na averiguação do caso. De acordo com o delegado plantonista Eduardo Samuel Sganzela, que registrou a ocorrência, há fortes suspeitas de que Paula tenha cometido suicídio, mas somente o laudo necroscópico poderá apontar a causa real de sua morte.

Paula era professor doutor e trabalhava na Unesp desde 2004. Ele foi descrito por colegas como uma pessoa muito dedicada ao trabalho e estava, inclusive, iniciando o levantamento de dados para uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Ele era uma pessoa extremamente dedicada ao trabalho e tinha uma vida acadêmica normal”, comentou o professor Henrique Luiz Monteiro, diretor da Faculdade de Ciências. Até não aparecer para trabalhar ontem, quando iria aplicar uma prova a seus alunos, os colegas de Paula não tinham observado nada estranho. A morte do professor chocou a comunidade acadêmica.