A primeira sensação que um carro nos dá é visual, sua aparência impressiona (ou não), mas nada no carro tem mais contato físico conosco do que os bancos. Poucos sabem o quão difícil é o seu projeto e importante a sua função como item de segurança passiva.
Os bancos nos acomodam confortavelmente durante horas em uma viagem e nos seguram firmemente em curvas e frenagens. São projetados não apenas visando o conforto dos ocupantes, mas principalmente oferecendo uma perfeita ergonomia interna. O motorista e os passageiros precisam ter livre acesso para cabeça e pernas, poder se movimentar com relativa facilidade e acessar os controles mesmo afivelados ao cinto de segurança. Os bancos dianteiros têm desenhos e funções diferentes do traseiro, por isso são duas categorias diferentes. Vamos ver como um bom banco é projetado e quais os critérios requeridos.
Tudo começa com a definição da melhor ergonomia para o motorista: acessibilidade dos instrumentos, visibilidade, entrada e saída, posição do volante, para a definição do ponto H (medida geométrica do corpo humano que representa o ponto ideal de articulação superior da perna), parâmetro inicial de todo o desenvolvimento. Isto é feito com o uso de manequins especiais (reais ou virtuais) e a partir daí desenvolve-se o banco.
Por definição, um banco divide-se em 5 partes: estrutura, assento, encosto, apoio de cabeça e capa. A estrutura é metálica, tubular ou de chapa estampada, e tem a finalidade de localizar as espumas do assento e encosto e o apoio de cabeça em um conjunto e fixá-lo ao assoalho. A estrutura do banco dianteiro tem uma estrutura única, com trilho regulável para deslocamento longitudinal e um mecanismo de regulagem de inclinação do encosto que permite ajustar a melhor posição. Opcionalmente pode ter também um mecanismo de regulagem de altura. Já o banco traseiro geralmente tem a estrutura separada para assento e encosto, que pode ser rebatível ou não, dependendo da configuração do veículo.
A espuma do assento é de poliuretano moldado, com uma ou mais densidades bem localizadas para oferecer o conforto esperado. A forma côncava é propositalmente definida de forma a prevenir o efeito chamado “anti-submarino”, ou seja, para impedir que o ocupante seja projetado para frente em caso de frenagem e invada a área dos pedais por baixo do painel. Esta forma côncava segura melhor o ocupante no banco. O mesmo princípio vale também para o banco de trás, só que mais suave.
O encosto também é de espuma moldada com um formato peculiar. Nos bancos dianteiros, o encosto tem uma forma côncava no sentido longitudinal, acompanhando a forma das costas que ajuda a segurar o corpo nas curvas. Na parte inferior, existem suportes de espuma para apoio lombar, que dá mais conforto e segurança. O encosto traseiro já tem uma forma mais de sofá, pois abriga até 3 passageiros.
Os apoios de cabeça são itens de segurança para proteção das vértebras do pescoço em caso de colisão traseira, em que a cabeça é jogada bruscamente para trás. Devem ser regulados de forma que a parte superior da cabeça e o apoio fiquem na mesma altura.
A capa dos bancos geralmente é de courvin, tecido ou couro, cada uma com suas características. As de courvin são mais baratas e fáceis de lavar, indicadas para veículos de serviço. As capas de tecidos são mais bonitas e mais populares, com a grande vantagem de não esquentarem tanto ao sol, já as de couro são requintadas e bem mais caras, geralmente aplicadas em carros de luxo. Lindas, cheirosas mas se deixar no sol, podem queimar as pernas...
Algumas regras devem ser seguidas para se encontrar a posição ideal de regulagem dos bancos, de forma a oferecer conforto e segurança. O encosto deve ser inclinado até proporcionar uma posição agradável mas não mais de 30º. O assento deve ser regulado para frente longe o suficiente do painel de instrumentos, porém permitindo ao motorista acionar os pedais até o assoalho e manter as mãos no volante com os braços ligeiramente arqueados. As pernas devem ficar ligeiramente dobradas de forma a não tocar a parte inferior da coxa próxima ao joelho no banco, o que causa cansaço durante uma viagem. Depois é só ajustar o cinto e bom passeio!
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.
Seu site é www.marcoscamerini.com.br.
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