10 de julho de 2026
Geral

Filosofia no ensino médio colocará profissão em alta

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 2 min

A lei que torna obrigatório o ensino de filosofia e sociologia nas escolas de ensino médio públicas e particulares em todo o Brasil, sancionada em junho deste ano, colocará a profissão em alta por conta da necessidade de contratação de professores. As secretarias estaduais ainda estão se adequando para começar a implantar a disciplina no currículo escolar, mas a expectativa entre os filósofos é que a demanda por profissional da área aumente a partir de 2009, assim como o interesse pelo curso.

Em Bauru, a Universidade do Sagrado Coração (USC) é a única instituição a oferecer o curso de filosofia. Tradicional e com mais de meio século, no decorrer dos últimos anos caiu a demanda pelo vestibular para o curso. Para o filósofo Fausi dos Santos, o modelo capitalista é o responsável por isso. “Vivemos em um mundo tecnicista, que pensa no retorno financeiro rápido e esquece da potencialização do pensamento”, afirma.

“O que poucos vêem é que se torna cada vez mais importante o investimento em autocapacitação, treinamento e aprimoramento do conhecimento. Hoje, o mercado internacional busca profissionais com visão mais crítica, que agrega conhecimento. Os menos preparados são mais fáceis de serem dominados”, acrescenta.

Além da demanda por professor de filosofia que deve crescer por conta da lei que prevê a obrigatoriedade do oferecimento da disciplina no currículo do ensino médio, Cláudio Eduardo Badaró, coordenador do curso de Filosofia da USC, frisa que o filósofo pode atuar em outras áreas. “O filósofo pode atuar como articulista de jornal, assessor técnico em Organizações Não-Governamentais, Ministério Público, consultor especialista de análise humana, escritor, como filósofo clínico, entre outros”, revela.

“E diante essa nova lei, a demanda vai aumentar ainda mais e o número de profissionais ainda é pequeno”, complementa Badaró. Filosofia, assim como sociologia, já fazia parte do currículo do ensino médio, mas foram retiradas em 1971 por determinação da ditadura militar. “Essa é a chance de deixarmos de formar jovens analfabetos funcionais e formarmos pessoas com postura crítica, com flexibilidade intelectual, mais humanizado”, finaliza Fausi.