08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A ampulheta de gelo


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O conceito de energia é de difícil definição. A princípio, ela é algo de necessidade onipresente, sem a qual nenhum movimento é realizado, nenhum corpo aquecido, nenhum local iluminado e nenhum ser sobrevive. Contemporaneamente, a população aumenta, as economias se desenvolvem e, sufocado, o planeta pede socorro. O troféu do século será oferecido a quem solucionar o áporo de permitir o aquecimento das economias e, ao mesmo tempo, resfriar a atmosfera.

Os combustíveis fósseis representam cerca de 80% da matriz energética mundial. O principal representante do grupo é o petróleo. Seu controle e posse são muito mais que ambicionados por inúmeros países: ele é a causa de conflitos diplomáticos, políticos e até mesmo fio condutor da belicosidade.

Mas estes tipos de combustíveis não são renováveis e, além disso, seu uso indiscriminado é o maior agente contribuinte para o aumento do efeito estufa. Este, por sua vez é essencial à vida no plante terra, pois retém parte do calor irradiado pelo sol, proporcionando condições ideais de temperatura à vida terrestre que, se potencializado, é o responsável pelo aquecimento global, que fora do controle, preocupa a todos por suas notórias conseqüências.

No calor das ameaças ao fim do petróleo e início do aquecimento desenfreado da terra, urge a necessidade gritante de uma solução eficiente e muitos apostam no desenvolvimento e uso exclusivo de energias sustentáveis e renováveis.

Com estas características, entra em pauta o uso das fontes de energia eólica, solar, geotérmica, de biomassa e sobejamente nuclear. Todas são grandes negócios,mas cada uma, em sua particularidade, exige planejamento e, em sua maioria, gordas quantias de investimentos.

As energias solar e eólica, por exemplo, ainda exigem altos investimentos em sua instalação e seu custo tão pouco é baixo. Mesmo a energia gerada por biomassa, possui desvantagens, pois sua adoção em larga escala poderia tornar os alimentos mais caros e escassos.

A grande aposta está na energia nuclear, que além de limpa e extremamente eficiente, teve seu custo barateado pelo desenvolvimento de tecnologia que aumentaram sua produtividade. O que ainda impede sua ampla disseminação é sua potencialidade de gerar acidentes (a exemplo do Tree Mile Island, em 1979 nos Estados Unidos e de Chernobyl, em 1986 na Ucrânia) e o fato de que produzem massivas quantidades de lixo atômico, para os quais não há solução prática a não ser armazená-los por milhares de anos.

A demanda pela eficiência energética aumenta a cada dia. Se a solução será o emprego em conjunto de diversas matrizes limpas e viáveis de energia ou se será o desenvolvimento de uma nova e revolucionária fonte, ainda não se sabe. Mas que seja rápido, pois a terra - tal qual uma ampulheta de gelo – começou a derreter, e o tempo é curto.

Carolina Dionisio - estudante - RG 46.759.823-X