Para quem não conhece Kanye West ou não se interessa por rap, foi apenas um afro-americano sozinho em seu palco milionário, em frente a um “protetor de tela” gigante. Para quem sabia o que o mais hypado nome do hip hop atual vinha aprontando em sua turnê “Glow in the Dark”, aqui batizada “Brilhando no Escuro”, foi a abertura em grande estilo da arena pop do TIM Festival 2008.
Cerca de 2,5 mil pessoas ocuparam, anteontem à noite, o espaço montado próximo à Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O show de West era aguardado justamente em razão de seu palco e sua proposta: é uma ópera-rap espacial com telão gigante e outro, menor, que serve como o painel de controle da “nave” do rapper, muito gelo seco, explosões, fogo e luzes, com som mais que potente e, ainda assim, limpo.
Na “historinha” do show, West é um astronauta que cai em um planeta desconhecido e tem como única companhia sua nave, espécie de Big Brother que vai guiá-lo em busca de redenção, de mulheres ou na volta para casa. No fundo, é tudo uma grande ego-trip milionária que o artista usa para diferenciar seu produto dos milhares de outros rappers que encontraram a fórmula do sucesso na mistura de suas rimas com refrões pop e artistas consagrados.
Depois da introdução de “Stronger”, West aparece no palco deitado em uma plataforma inclinada e é acordado pela nave com “Good Morning”, levantando também as mãos do público, para mandar, em seguida, “I Wonder”, “Heard’em Say” e “Champion”.
Depois de ser assombrado por uma espécie de Godzilla inflável, ele segue a seqüência de hits com “Can’t Tell Me Nothing” e “Flashing Lights”. Com alguns momentos obscuros, quase buracos negros na viagem espacial do rapper, ele acaba pedindo à nave o que realmente lhe falta: mulher (não cabe traduzir a palavra usada, ao pé da letra). E emenda seu maior hit, “Golddigger”, que levanta, mais uma vez, a platéia.
O terceiro ato do show coroa essa cafonice exagerada da ego-trip de West e aquela “vergonha alheia” que se sente pelo teatrinho do show. A nave anuncia que, para voltarem para casa, eles precisavam justamente da “estrela mais brilhante do Universo”, ou seja, o próprio West.
O espetáculo termina com “Stronger”, que tem sampler de “Harder, Better, Faster, Stronger”, do Daft Punk, “Homecoming”, que teve participação do vocalista do Coldplay, Chris Martin, nas gravações - e de sua voz no show - e “Touch The Sky”.
Em seu espetáculo, West agradece à banda que, segundo a produção do TIM Festival, fica posicionada atrás do palco. Houve os que duvidaram e, ainda, de que o americano estivesse cantando de verdade. Por conta do roteiro do show, a interação do rapper com o público se resume aos pedidos de mãos para cima e cantarolar os refrões.
Somente no final, ele falou um pouco mais abertamente. Comentou que os produtores insistiram para que ele viesse ao Brasil com seu espetáculo completo, mesmo que isso custasse mais dinheiro. Não foi à toa que a noite de Kanye West era a de ingresso mais caro (R$ 250,00). Muitos fãs cantaram praticamente todas as músicas a plenos pulmões. Mas quem não se satisfez com a ego-trip teatral do rapper, deve ter saído bem aborrecido com a grana dispensada.