Esgotadas as notícias locais sobre os resultados do 1.º turno em Bauru nesta eleição, prossigo com o desempenho e os conflitos dos vices-prefeitos de outros tempos. Na eleição realizada em 3 de outubro de 1955, Nicola Avallone Júnior, que havia no pleito anterior disputado o cargo de prefeito enfrentando o doutor Nuno de Assis e fora derrotado, foi eleito pelo Partido Trabalhista Brasileiro. O vice-prefeito numa eleição de chapa descasada, médico Luiz Zuiani, do Partido Social Democrático em coligação com o Partido Social Progressista, que tinha o dr. Octavio Pinheiro Brisolla novamente candidato ao Executivo bauruense, também venceu a eleição. Oriundos de grupos diferentes, o titular e se substituto não tiveram conflitos durante a gestão, nos quatro anos.
Durante a campanha, dois incidentes ficaram marcantes na política bauruense. Nicolinha, como era chamado, propunha eleger-se para acabar com o ping-pong entre Nuno e Brisolla. Em contrapartida, Nuno escreveu um contundente artigo contra Avallone, denominando-o “Perfil de um cafajeste”.
Avallone venceu por precários 67 votos num universo de 14.483 votantes. Sua vitória, para aqueles que assistiram à acirrada disputa, veio dos eleitores do Sanatório “Lauro de Souza Lima”, onde Conceição da Costa Neves havia lhe dado integral apoio, bem como das moças da Eny, como revelou Lucius de Mello no seu livro.
A Câmara Municipal foi composta por 19 vereadores, sendo que passou a ser apurada a sobra na sistemática da proporcionalidade, sob o argumento de preservar aqueles candidatos que representassem a minoria. Na composição da Mesa da Câmara houve alternância nos seus cargos e meu pai, inclusive, foi presidente da Casa nos dois últimos anos de mandato. No pleito seguinte ele foi, com o apoio de Avallone Jr., eleito prefeito, vencendo seu velho companheiro Dr. Brisolla, mais uma vez postulando o cargo que ocupara em dois momentos da nossa história local.
Com muita habilidade política, Avallone Jr. elegeu-se deputado e coube ao vice, dr. Luiz Zuiani, assumir o cargo de prefeito a partir de 15 de março de 1959 até a sua transmissão para o sucessor.
Resultado da eleição de 4 de outubro de 1959, Irineu Bastos, meu pai, foi eleito prefeito pela coligação PTN-PRT com 8.744 votos. O vice, dr. Alpheu de Vasconcellos Sampaio, foi eleito pela coligação PSP-UDN, com 14.695 sufrágios, pois ele era muito querido e considerado o médico dos pobres. Dr. Alpheu, no pleito anterior ficou como 1º suplente de deputado estadual pelo P.S.B. e assumiu durante curto período. Em 1958, candidatou-se novamente e não foi eleito, pois os eleitores não o queriam fora da lide médica na cidade. Desgostoso, renunciou do cargo de vice-prefeito, sendo que durante curto afastamento de meu pai entre 12 de setembro a 7 de outubro de 1963, assumiu o presidente da Câmara, vereador José Vicente Aiello, do PSD.
Mais uma vez, politicamente, essa gestão municipal não teve conflitos entre prefeito e vice. Os 19 vereadores eleitos exerceram seu mandato assistindo a alternância nos cargos da Mesa da Câmara. Mas, nos anos seguintes, uma tempestade estava para vir.
O autor, Irineu Azevedo Bastos, é colaborador de Opinião