10 de julho de 2026
Esportes

Basquete: Apesar da vitória, GRSA admite relaxamento contra Casa Branca

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Após vencer na prorrogação o time de Casa Branca, em partida disputada anteontem à noite, no ginásio da Luso, o elenco do GRSA/Bauru Basketball Team se diz consciente de que, se não entrar totalmente focado, independentemente do quilate do adversário, corre o risco de passar por novas situações de sufoco.

Escaldado - asseguram os jogadores -, o elenco estaria pronto para entrar com o máximo de concentração nos próximos jogos, a fim de garantir a equipe bauruense nos playoffs decisivos do Campeonato Paulista de basquete masculino. O relaxamento do GRSA, aliado ao bom aproveitamento de arremessos de longa distância do Casa Branca, seriam os principais fatores que quase comprometeram a apresentação do time da casa, na quinta à noite.

“Entramos apáticos”, resume o pivô Filé. Para o jogador, o time falha ao “igualar” o ritmo de equipes teoricamente mais fracas, o que traz complicações ao GRSA em partidas que, no papel, seriam tranqüilas. “Essa acomodação, muitas vezes inconsciente, acontece durante jogos frente a equipes sem grandes chances de classificação”, acentua. “Tenho certeza de que, após o susto de ontem, isso (apatia) não vai se repetir”, confia o pivô. “Aprendemos a lição”, assegura.

Esse aprendizado, entretanto, deve também ser colocado em prática em jogos contra os chamados grandes, receita o técnico Guerrinha, que já pensa no próximo compromisso do time bauruense, contra a Conti/Assis, fora de casa: “Se entrarmos contra Assis do jeito que a gente entrou ontem (quinta-feira), vamos perder de dez a vinte pontos de diferença”, sentencia o treinador.

Ontem, os jogadores fizeram um treino leve, apenas com a prática de arremessos entre os jogadores com mais tempo em quadra no jogo contra Casa Branca, e uma breve preparação de jogadas de ataque entre os atletas menos utilizados na quinta-feira. Entre eles, o pivô Allison, que, finalmente, pode estrear pelo GRSA.

Utilizado durante quatro minutos, entre o final do primeiro quarto e início do segundo, o gigante, de 2,12m., afastado dos treinamentos no início do Estadual, por suspeita de problemas cardíacos, comemorou seu retorno às partidas oficiais. “É muito bom poder voltar. Foi um jogo disputado, muito emocionante”, analisa o jogador, que, apesar do pouco tempo em quadra, se destacou com dois tocos seguidos.

Baixada a poeira

Se a vitória na prorrogação, por si só, já seria “teste para cardíaco”, os problemas observados durante o tempo extra, quando dois jogadores do Casa Branca (Marcelinho e Bruno) agrediram o árbitro Maurício Antunes, atingido com chutes, foram lamentados pelo pivô do time bauruense. “Isso foi lamentável, agiram de cabeça quente”, observa o jogador, que valoriza a atitude de seus companheiros e torcedores. “Ninguém daqui entrou na onda deles, mesmo porque temos que nos preservar, evitando punições que poderiam prejudicar o time”, receita.

O técnico Guerrinha, que não acredita em qualquer ônus ao GRSA (na figura de mandante do jogo) pelos problemas observados entre Casa Branca, arbitragem e membros da federação, no jogo de quinta-feira, faz coro nos elogios a postura de seus comandados e torcida local. “Nossos torcedores mostraram que entendem de basquete e não entraram na onda deles (Casa Branca), que tentaram forjar uma situação”, aponta o técnico de Bauru, citando outros deslizes disciplinares dos visitantes neste campeonato. Durante o jogo de quinta, Casa Branca estava desfalcado de seu treinador Dé, que, no momento da partida, era julgado na federação sob acusação de, justamente, agressão física contra árbitro da entidade.

A Federação Paulista de Basquete (FPB) somente se pronunciará sobre uma possível punição ao Casa Branca, em vista aos incidentes de quinta-feira, explica Ênio Corrêa, delegado da partida, após a avaliação dos relatórios da partida. “Toda atitude será relatada”, assegura. “Em cada partida são feitos cinco relatórios, que vão a uma comissão que os julga para o presidente decidir se encaminha ou não para o tribunal”, detalha Corrêa, que, no entanto, não antecipa se os problemas acarretarão ou não em medidas severas contra os causadores do tumulto. “A postura nossa é relatar o ocorrido em quadra e a federação toma as medidas cabíveis”, sintetiza.