São Paulo - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou ontem que a instituição pretende ajudar empresas exportadoras que tiveram perdas com derivativos cambiais. Sem dar muitos detalhes, Coutinho explicou que o processo está em discussão e será feito em conjunto com outros bancos.
“É uma parte de empresas exportadoras, que tinham gestão financeira mais sofisticada que entraram nesse tipo de derivativo. É um conjunto limitado e é um processo que está em curso. A grande maioria está renegociando com a própria rede bancária condições para solucionar isso”, afirmou.
O executivo destacou que o BNDES vai avaliar caso a caso. Ele acrescentou que o setor bancário privado está disposto a refinanciar as perdas dessas empresas e “diluir isso na frente”. O BNDES, segundo ele, atuaria de forma complementar. Por enquanto, Sadia, Aracruz e Votorantim anunciaram perdas na casa dos R$ 5 bilhões com as chamadas operações de “hedge” (proteção) cambial.
São operações escoradas em papéis classificados como derivativos cambiais, em contratos com vencimentos futuros. Apesar do vencimento ocorrer de um a dois anos, em média, o preço do dólar do contrato é fixado no momento da assinatura. Assim, se o dólar cai, os bancos cobrem o prejuízo e as empresas lucram, mas se a cotação sobe, ganham os bancos. Só que a disparada da moeda americana é tão forte no último mês que teme-se que as empresas não tenham dinheiro para quitar suas dívidas.