Laila Michel Assad Del Preti lembra que, 39 anos atrás, passou por muitos transtornos quando decidiu procurar uma escola para o filho Marcelo, que nasceu com síndrome de Down. “Quando consegui matriculá-lo num colégio, as outras mães proibiram seus filhos de brincar com ele e começaram a ameaçar a diretora, dizendo que se o Marcelo não saísse (da escola), as outras crianças sairiam. Foi um sofrimento muito grande”, relembra.
A intolerância foi tamanha que Laila teve de contratar um professor particular para que o menino fosse alfabetizado. Mesmo privado da convivência com outras crianças quando pequeno, ele conseguiu superar seus limites e se transformou em um homem polivalente.
Depois de todo enfrentamento que a vida lhe impôs, hoje Marcelo participa do grupo de teatro da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), a Oficina Inverso, considerada uma das dez melhores do Brasil em um concurso realizado no ano passado, em Santa Catarina. As apresentações, que são realizadas quase toda semana em congressos, clubes, escolas públicas e particulares, colabora para fortalecer o convívio dos integrantes em sociedade.
“O teatro é o meu sonho. Desde criança eu sonhava em entrar no palco e ver todo mundo me aplaudindo, em pé. Por isso, hoje minha vida é maravilhosa”, conta Marcelo.
Além da paixão pelos palcos, ele também se arriscou em outras artes ao longo da vida, como a pintura, a música e a dança. “Ele é uma pessoa independente: anda de ônibus e mototáxi, vai ao banco, põe e tira a mesa do café, toca piano, canta, usa o computador, toma banho e se troca sozinho. Ele é meu companheiro, a luz e a alegria da minha vida”, complementa a mãe, tentando demonstrar como o filho lhe prova, dia após dia, que a felicidade está presente nas coisas mais simples da vida.