11 de julho de 2026
Regional

‘Mansão dos gatos’ em Borebi abriga 70 felinos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Borebi - Gatos e cachorros de rua têm comida, água e muito carinho e atenção em Borebi (45 quilômetros ao sul de Bauru). A ‘mulher’ dos gatos, como é conhecida a aposentada Maria do Carmo Brosco Vuono, não deixa nenhum ‘excluído’ morrer sem ser socorrido. Há sete anos que ela recolhe os animais atropelados, machucados e rejeitados que as pessoas abandonam em frente sua casa.

A casa dela é conhecida como a ‘mansão’ dos gatos e se tornou um ponto turístico da pequena Borebi. Há famílias que levam as crianças para ver os ‘miaus’ no final da tarde.

Mas não são só os gatos que têem espaço na casa da aposentada. Os cães também marcam presença, só que em menor número. O interesse pelos animais fez com que Maria do Carmo perdesse a identidade. Hoje ela é a “mulher dos gatos”. “Não me importo com isso. Adoro os meus animais.”

O “gatil” da aposentada é amado e odiado no município. Ela mesmo conta que há pessoas que gostam, mas há quem não aprove o tratamento dispensado aos animais.

“Além dos meus animais, eu levo ração para os gatos de rua, da praça. Só coloco ração e isso incomoda as pessoas. Tem uma moradora que, ao me ver tratando dos gatos, disse: ‘malditos gatos, tomara que morram todos’”, conta.

Maria do Carmo diz que respondeu com toda a classe que lhe é peculiar. “Eu dei um cartão com meu endereço para eles irem comer lá, mas como eles não sabem ler, eu venho até aqui tratar deles”. Aliás classe e elegância não faltam na mansão dos gatos. Em meio a móveis e decoração de muito bom gosto, os gatos e cachorros se misturam.

São 125 quilos de ração e 60 latinhas de carne por mês. Além de vacinas e esterilização das gatas adultas. “Eu mesma dou a vacina”, se vangloria a aposentada.

O amor pelos animais começou na infância. Ela ainda se lembra do Flay, um cão de caça que seu pai usava para caçar no Mato Grosso. “Meu pai tinha o Flay e nós morávamos num sobradinho. Todo dia ele saia para dar uma volta. Um dia ele voltou para casa e morreu. Havia sangue por toda a escada. Deram carne com vidro para ele.”

Outros animais acompanharam a vida da aposentada. Já adulta, ele criava quatro gatos que também eram de rua, num apartamento onde morava com o marido Roberval de Vuono. “No estatuto do prédio não era permitido criar animais e eu tive que trazê-los para a casa de meus pais aqui em Borebi”, comenta.

Os pais dela morreram e ela passou a dividir o tempo entre o apartamento de Bauru e a casa em Borebi. “Quando fiquei viúva, optei por ficar aqui com os bichos.”