Borebi - O município de Borebi (45 quilômetros ao sul de Bauru) não tem gatil e o amor pelos gatos não ficou transparente. Logo a notícia de que havia uma moradora que gostava deles tomou corpo e, a partir de então, todos aqueles que tinham animais da mesma espécie e não queriam mais, colocavam os filhotes no jardim da então casa, hoje, mansão dos gatos.
Os atropelados e doentes também começaram a aparecer e Maria do Carmo Brosco Vuono não recusou nenhum. Conclusão, dos quatro gatos iniciais, a mansão já abriga 70. “Esta semana trouxeram três em uma caixinha e deixaram na porta.”
Animais com “defeitinhos” são muitos. O “lua” tem só três patas e não enxerga, porém isso não o impede de andar por todo o quintal e viver feliz com a “mulher dos gatos”. Ele é um dos atropelados que foram salvos.
O “júnior” é outro gato que passou por um acidente. Chegou bem machucado aos braços da aposentada. “Ele foi atropelado em Bauru. Eu cuidei dele e, hoje, ele dorme no meu quarto.”
O amor pelos gatos está incorporado na mansão. Até a grama do jardim foi substituída por areia e terra para manter o ambiente limpo. “Eles me fazem companhia. Quando viajo, minha secretária cuida deles.”
Questão de polícia no jogo de responsabilidade
A paixão pelos animais incomoda alguns moradores, acredita Maria do Carmo Brosco Vuono. Dois casos tiveram final inusitados. Um deles, quando abandonaram um cão com leishmaniose na porta da ‘mansão’. “Eu avisei a prefeitura e o posto de saúde, ninguém tomou providência. O cachorro amanheceu morto”, relembra.
O mais inusitado foi parar na polícia, conta a aposentada. “Na cidade não tem gatil e nem canil. Por isso, as pessoas deixam os animais na minha porta. Eu trato porque tenho paixão por eles, mas a obrigação é do município.”
Um dia, há anos atrás, foi deixada uma caixa forrada com 20 gatinhos. “Eu estava com minha mãe hospitalizada e não havia dormido à noite toda. Cheguei em casa e encontrei os filhotes. Mandei a caixa para a casa do então prefeito, Luiz Finoti.”
O “presente” foi recebido e pouco depois a viatura policial apareceu na “mansão dos gatos” para devolvê-lo. “Ficou um jogo de empurra. Até que o policial resolveu levar os gatinhos para uma fazenda”, relembra.
O protesto valeu uma inimizade. “Até hoje, o ex-prefeito não me cumprimenta”, explica.
Doações
Maria do Carmo Brosco Vuono faz doações, porém estipulou regras até para doar. “Aqui eles são bem tratados. Não posso doar para quem vai maltratar os animais. Só doou se a criança vier com a família, caso contrário não faço a doação.”
A experiência, segundo ela, mostra que quando o animal chega na casa e a mãe não aceita, será expulso ou maltratado. “Uma vez doei um cão para uma criança e depois encontrei o animal abandonado na praça”, argumenta.
Em compensação, muitas vezes, o animal doado vira membro da família. “Eu tinha um gato branco, lindo. Veio uma família e quis ficar com ele. Eu fiquei na dúvida, porque ele era adulto. Acabei cedendo. Eles levaram para uma fazenda. O gato está super bem cuidado, dorme no quarto das crianças.”
Ela frisa que a maioria das pessoas que querem gatos moram em propriedades rurais. “Eles querem gatos para caçar ratos. Eu doou, desde que um adulto venha buscar.” Ela lembra que 90% dos felinos são fêmeas. “Por isso, quando as gatas perdem o dente de leite eu as levo para serem esterelizadas”.
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Animais são batizados com nomes de astros
Todos os gatos têm identidade e a aposentada sabe o nome de cada um deles. Quando chegam na ‘mansão’ são batizados. Os três últimos ainda não receberam o ‘RG’. “Ainda estou pensando que nome vou dar a eles.”
Os nomes dependem do momento, confessa Maria do Carmo. “Um deles chama Dodi, porque é um gato safado, mal caráter. A denominação foi inspirada no personagem vivido pelo ator Murilo Benício, na novela A Favorita (Rede Globo).”
Da novela Pantanal, telenovel presisada pelo SBT, a mulher dos gatos tirou dois nomes: Juma e Guta. Há também uma cadela com o nome de Jade, personagem vivido por Giovana Antoneli na novela global “O Clone”, em que Murilo Benício fazia o papel principal. Por contracenarem juntos Antoneli e Benício iniciaram um romance na vida real.
“Rasgatinho”
O “rasgadinho” é um gato que foi encontrado pendurado em um arame farpado com a barrigada toda de fora. “Levei para o veterinário achando que ele não tinha salvação. Mas ele foi costurado e vive até hoje.” O kuka é um gato que sofreu uma mordida de um cão e perdeu a pata. “Eu encontrei ele com o osso exposto. Estava desmaiado. O veterinário que o salvou era o kuka. Em homenagem a ele, batizei o animal.” (RCC)
Serviço
Quem tiver interesse em adotar um animal pode contatar a moradora de Borebi pelo telefone (14) 3267-1105.