Em maior ou em menor quantidade, todos os dias ou de vez em quando, o fato é que a carne bovina está presente no cardápio dos bauruenses. São cerca de 2,34 milhões de quilos consumidos por mês na cidade, o que corresponde a 12 mil cabeças de gado abatidas a cada 30 dias para atender ao apreciador do produto em Bauru.
As contas foram feitas pelo Frigorífico Mondelli, que também aponta para crescimento gradativo do consumo de carne suína na cidade. De acordo com Roberval Neves dos Santos, gerente executivo do frigorífico, o bauruense consome 9 quilos de carne bovina por mês, em média; a suína e de frango respondem por 4 quilos consumidos mensalmente.
De acordo com o Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, mesmo a carne bovina sendo ainda a mais consumida, a criação de animais na área do município tem diminuído gradativamente ao longo dos anos.
De acordo com Helena Tanaka Sueishe, veterinária que presta serviços ao EDA, Bauru concentra atualmente, em média, cerca de 50 mil cabeças de gado. Os números foram confirmados por Érico Braga, presidente da Associação Rural do Centro-Oeste Paulista (Arco).
Mas o número de animais já foi maior. Como as áreas de pastagem nos últimos anos vêm sendo invadidas pelo cultivo da cana-de-açúcar, eucalipto e de frutas cítricas, muitos têm deixado de criar gado. Mesmo assim, dos 15 municípios da região assistidos pelo escritório, Bauru é responsável por aproximadamente 12% de todo o rebanho.
De acordo com Maria Aparecida Gazolli Sajovic Martins, diretora técnica do EDA, juntos, os 15 municípios somam cerca de 420 mil cabeças de gado em suas pastagens. Agudos, município vizinho a Bauru, é um dos maiores criadores. No caso da criação de suínos, Bauru e Arealva lideram.
Martins explica que os números crescentes da suinocultura, não só em Bauru mas em todo o País, indicam o reflexo do incentivo ao processo de integração, bastante praticado no processo de criação de frangos.
Nesse processo, o criador recebe o filhote recém-nascido e a ração enquanto o dono da propriedade rural fica responsável pelo processo de engorda e pelos cuidados para que o animal chegue no tempo de abate saudável. Em outros Estados, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, essa técnica já é bastante explorada. “A integração suína ainda é bastante tímida, mas começa a ser desenvolvida em Bauru”, conta Martins.
Dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS) apontam que, já para este ano, o consumo da carne suína deverá apresentar uma ligeira alta. O aumento da renda dos consumidores brasileiros, combinado com a menor oferta de carne bovina, devem elevar em muito o consumo desse tipo de carne. Em 2007, o consumo per capita do brasileiro chegou a 13,1 quilos por ano.
Cuidados
A verdade é que a maior parte dos consumidores nem imagina o controle que é feito tanto no pasto quanto na hora do abate, dentro do frigorífico, para que as carnes suína e bovina cheguem até a sua mesa. Só a aplicação das vacinas no período certo e o controle rígido da saúde do animal garantem a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento que permite a ida do animal suíno ou bovino de uma propriedade para a outra ou para o abate.
Outra medida que garante que o animal é saudável é a rastreabilidade, um sistema de controle de identificação individual de animais, do nascimento até o abate, registrando todas as ocorrências relevantes ao longo de sua vida. Essa medida, além de valorizar o animal na hora da venda para o abate, também abre as portas da exportação para o criador.
Já no frigorífico, são fiscalizados o isolamento do animal no período anterior ao abate, a forma como ele é abatido e o manejo da carcaça. O carimbo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) é a garantia que o consumidor deve exigir para saber que a carne que será consumida por ele e sua família é de qualidade.
Mesmo sendo proibida a comercialização de animais abatidos fora dos frigoríficos, a ocorrência de abate clandestino permanece. De acordo com o gerente executivo do frigorífico, quem tem o poder de exigir fiscalização é o consumidor, ao checar a procedência da carne que lhe está sendo oferecida.
Juntos, os cortes de carnes bovinos e suínos dominam o mercado, mas os derivados desses dois tipos de carnes também correspondem a boa fatia do mercado. Hambúrgueres, lingüiças e outros produtos produzidos a partir dessas carnes também têm a preferência do consumidor.
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Um orienta, outro tenta coibir
Se a carne tanto bovina quanto a suína chega saudável à mesa dos bauruenses, parte dessa qualidade deve-se ao trabalho realizado por quem atua no Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, que fiscaliza, entre outras obrigações do criador, o cumprimento dos prazos de vacinas e os cuidados com a saúde dos animais em 15 municípios da região.
Às portas da segunda etapa da vacinação para imunização do gado contra a febre aftosa, técnicos, veterinários e funcionários do órgão já começaram as visitas às propriedades rurais para garantir que nenhum criador de gado deixe de vacinar seu rebanho.
Além da aftosa, o gado também precisa ser vacinado contra bruscelose, doença que pode ser transmitida ao homem através do consumo de laticínios e da carne. Bezerras de até 8 meses de idade devem ser vacinadas duas vezes ao ano.
Os cuidados com a criação de suínos também é intensa durante todo o ano. Mesmo não havendo nenhuma doença séria que ameace os criadores, já que a peste suína está erradicada do Estado, os criadores são orientados a todo instante a ficarem atentos à saúde de cada animal.
Enquanto os funcionários do EDA são responsáveis pela orientação e fiscalização das propriedades rurais onde os suínos e bovinos são criados, o Centro de Zoonoses, ligado à Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, é responsável por tentar coibir a criação de qualquer tipo de animal dentro da área urbana.
Nas favelas e bairros mais pobres da cidade, é muito fácil encontrar pessoas que criam suínos, aves e bovinos. Segundo Luís Ricardo Paes de Barros, veterinário do órgão, o trabalho não é fácil. Ele explica que tanto a criação de gado, que não é tão grande, quanto a de suínos está ligada à questão de sobrevivência. “A criação desse tipo de animais acontece onde as condições de moradia são bastante precárias”, relata.
Barros conta que o problema é social, ou seja, a maior parte dos criadores tem os animais ou para consumo próprio ou para garantir um incremento na renda. Conforme o órgão recebe as denúncias, o local é visitado e o proprietário é orientado a se desfazer das criações.
“Nesses locais é até difícil dimensionar o perigo que a pessoa corre ao criar animais como porcos, por exemplo, tão perto de casa e sem seguir as condições exigidas na área rural. A falta de infra-estrutura, como rede de esgoto, por exemplo, reforçam o perigo diário de uma contaminação”, conta Barros.