O eleitor brasileiro está mudando. A cada eleição as regras eleitorais são mais rígidas para inibir o abuso do poder econômico, a maneira de se comunicar do candidato com o eleitor vem evoluindo para modernas técnicas de marketing, mas há ainda a subjetividade do carisma de quem disputa o cargo eletivo.
O diretor do Datafolha, Mauro Paulino, acompanha a política sob a ótica das pesquisas eleitorais, mas descreveu recentemente em um artigo na Folha de S.Paulo como o eleitor se insinua a cada pleito municipal.
Uma constatação interessante é que esse eleitor despreza partidos, ideologias e a política tradicional, mas permanece atento à capacidade demonstrada pelos candidatos em comunicar com clareza os problemas urbanos suas propostas para solucioná-los.
Na campanha em Bauru isso foi possível perceber. As propostas dos dois candidatos se assemelharam principalmente com relação à falta de pavimentação e aos problemas de Saúde, dois problemas que mais afligem o eleitor, o que demonstra que “pautou” os candidatos. A questão partidária não teve influência no pleito local.
Paulino notou que o eleitor avalia posições diante dos oponentes e das dificuldades administrativas, preferindo os que demonstram bom humor e descontração, mas muda de idéia ao perceber alguma falsidade ou fragilidade.
Esse eleitor prefere não dar muita moral a político nenhum e já se habituou ao ato de votar. Conhece os caminhos trilhados pelos candidatos nas propagandas, entrevistas e nos debates.
Na avaliação do diretor do principal instituto de pesquisa de opinião do País, a aparente apatia percebida nas ruas até mesmo no dia da eleição guarda uma evolução na relação com o voto. “Candidatos plastificados podem ainda surgir, crescer e impressionar durante a campanha. Mas precisarão ir além para sustentarem até o momento da confirmação do voto na urna por esse novo eleitor, já numeroso o suficiente para mudar o rumo da eleição quando bem entender”, escreveu Paulino ao se referir ao “Eleitor descolado” que traçou o perfil com base nas séries de pesquisas eleitorais e no resultado das votações.