08 de julho de 2026
Geral

Internet manda enciclopédia para sebos

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 2 min

De acordo com o dicionário, enciclopédia significa “obra de referência que expõe metodicamente os fatos, as doutrinas, resultados do saber humano universal ou específico de um ramo do conhecimento; biografias de grandes vultos na qual se adota em geral a ordem alfabética”. Muito utilizada e valorizada até meados da década de 90, atualmente, em época de Internet, muitas das enciclopédias foram parar nos sebos, onde são vendidas a baixos preços.

Para se ter uma idéia, um volume da famosa Barsa, confundida muitas vezes como sendo “a” enciclopédia, custa R$ 5,00 no sebo da família de Antônio Sérgio de Bau, que funciona na avenida Rodrigues Alves há 15 anos. O local, como o próprio nome diz, vende de tudo: revistas, jornais, vinil, livros e enciclopédias usados. Mas este último item é o que menos sai e não é por falta do material. As estantes estão tomadas por volumes e volumes de enciclopédias.

“A procura é muito pequena”, conforma-se Bau. Segundo ele, um dos motivos é a Internet, que facilitou a vida dos estudantes. “Os próprios professores não exigem mais pesquisa em enciclopédia. Não há mais preocupação em ir a uma biblioteca, procurar o livro, ler e resumi-lo”, opina.

“Hoje a juventude não sabe nem o que significa uma Barsa ou Miradouro”, ressalta, citando algumas das enciclopédias disponíveis no sebo. Além dessas, o estabelecimento tem Larousse, Universal, Enciclopédia do Estudante, Conhecer, Mirador e a Trópico. “A Internet está acabando com o contato com o livro e o estímulo para ler”, frisa.

Entre as raridades, o sebo tem uma enciclopédia sobre os municípios brasileiros. Lançada em 26 de abril de 1958, possui 14 volumes com aproximadamente 350 páginas cada um. “Foi adquirida de um rapaz que estava indo embora do Brasil. Encontramos essa preciosidade tomando chuva na casa dele”, relata Bau, Ele afirma que a Universidade Estadual Paulista (Unesp) manifestou interesse pela obra. Há também uma enciclopédia sobre os vencedores do Prêmio Nobel entre 1909 a 1960. São 60 volumes. A coleção sai por R$ 2.500,00. “Mas sempre estamos aberto para conversa”, frisa.

Há onze anos ganhando a vida em um sebo na rua Treze de Maio, Roberto Francisco confirma a baixa procura por enciclopédias. No sebo, elas são inúmeras coleções que ocupam considerável parte das estantes localizadas nos dois andares do estabelecimento. “Tenho até a Barsa de capa preta”, comemora. “São 19 volumes da Larousse antiga e mais 24 da atual. Há ainda 24 volumes da Mirador e 27 da Britânica. Todas lançadas há 40 anos. Antes, eram oferecidas de porta em porta”, lembra.

Um volume da Mirador, por exemplo, sai por R$ 20,00. A coleção completa fica em R$ 400,00. “Se fosse na década de 60, sairia por até R$ 3 mil”. Todo o material foi adquirido através de particulares. “Quem muda de casa para apartamento se desfaz de tudo isso”, explica.