09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Manifesto Palhaço para terceiro turno


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Neste domingo acabou o processo eleitoral. Os bauruenses foram chamados a escolher entre dois brancos ricos de olhos claros para governar a cidade. Boa sorte ao que ganhou! Mas que não nos iludamos nunca, depositando nossa esperança em um homem, partido ou instituição, seja ele qual for. A construção de uma sociedade livre e democrática não se faz por “representantes”, não se faz apertando botões a cada quatro anos.

Mais do que ter o direito de escolher entre um ou outro prefeito, devemos tomar livremente decisões a cada dia. Existem mecanismos que os cidadãos devem conhecer para exercer a democracia além das urnas. Existe o Ministério Público, existem os Conselhos, existe a imprensa (que as pessoas podem procurar e denunciar situações de abuso, quando se sentir fraco para lutar sozinho), entre outros. O cidadão pode ainda se engajar em ONGs e movimentos e fazer várias outras coisas para a melhoria da sociedade além de simplesmente votar e achar que fez a sua parte. Ainda assim, devemos saber que falta muito. Que essa sociedade não é plenamente livre e democrática.

Que democracia é essa em que uma criança não pode escolher o que vai ser quando crescer? Pois não há acesso à formação adequada para todos e o mercado é implacável. Que democracia é essa onde não se pode escolher a quem amar? Já que o preconceito massacra formas “diferentes” de relacionamento. Que democracia é essa onde não se tem direito de ir e vir? Já que há lugares intransitáveis à pela falta de segurança. E, durante o dia, o preço dos ônibus é um empecilho. Que democracia é essa onde não há espaço para se produzir e consumir arte?

Que democracia é essa em que uma criança não pode ser simplesmente criança e é obrigada a se prostituir ou vender balas? Arte, respeito ao ser humano, liberdade e o direito de sonhar. Essas são as bandeiras dos palhaços poetas de Bauru, que, ao contrário dos políticos, não desaparecerão pelos próximos anos. Estarmos sempre presentes, com poesia e ARTEntados pelas ruas. Todo poder ao povo!

Os Palhaços