Em novembro desse ano, completarei trinta anos. Não faz muito sentido eu dizer que sou um balzaquiano. É bom que se diga que Balzac referia-se às mulheres (não aos homens) de trinta anos. Balzaquiana é o adjetivo referente a Honoré de Balzac (1799-1850), escritor francês da metade do século XIX, autor do célebre romance “A Mulher de Trinta Anos”. Dizia o romancista francês sobre a mulher de trinta anos: “Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido (...) Entre elas há duas, há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer”.
Ah!Antes que o leitor me questione sobre a preferência da mulher madura ou imatura, prefiro não opinar a respeito. Por razões e motivações particulares. Se fizermos uma retrospectiva do ano em que nasci, a Organização das Nações Unidas (ONU) considerou 1978 como o Ano Internacional Antiapartheid. Tivemos outros eventos históricos nesse ano: o Conclave no Vaticano ao eleger em 16 de outubro o cardeal Karol Józef Wojty³a, da Polônia, conhecidíssimo papa Joao Paulo II. E em 31 de dezembro Ernesto Geisel enviou emenda ao Congresso para acabar com o AI-5, demonstrando e confirmando as promessas de transição lenta, gradual da ditadura para a democracia. Em especial vale recordar o ano de 1978 pela luta da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Apartheid principalmente na África do Sul.
Na atualidade falar de apartheid é também pensar no abismo sócio-econômico, que se alarga sobremaneira dia após dia no Brasil. Mesmo com os programas sociais de caráter assistencial ou compensatórios promovidos pelo governo federal brasileiro nessas duas últimas décadas, o Brasil tem contribuído de maneira significativa para a estagnação da diminuição do número de miseráveis na América Latina.
De acordo com o Banco Mundial, o Brasil teria de elevar “em dez ou 15 vezes” o montante de dinheiro destinado a programas como Bolsa-Escola, Bolsa-Família a fim de equilibrar as disparidades de renda e integrar os mais pobres ao mercado. Tarefa impossível para um país com uma carga tributária, juros e déficit público elevado. Missão impossível!
Em 1978, diriam alguns sociólogos/economistas otimistas: “Não somos uma Suiça, mas também não somos uma África do Sul, não temos um apartheid”. Ledo engano! Hoje (e em 1978) somos países gêmeos. Desde 6 de junho de 2003, o IBAS foi formalizado pela Declaração de Brasília. Brasil, África do Sul, além da Índia (IBAS) aproximaram-se devido as credenciais democráticas, a condição de nações em desenvolvimento e a capacidade comum de atuação em escala global. O status de potências médias, a necessidade de corrigir desigualdades sociais internas e a existência de parques industriais consolidados são freqüentemente apontados como outros elementos que alimentam convergências entre os membros do IBAS.
O governo brasileiro tem uma obrigação para com seu povo. Principalmente com a massa de desvalidos, desprotegidos, esfomeados, esfarrapados e escravizados ainda sob grilhões, correntes, chicotes, algemas invisíveis da miséria, ignorância e solidão.
E o pior! Não vejo solução a curto e médio prazo. Talvez nem haja mesmo solução. Não sou pessimista como dizem alguns amigos e alunos. Para mim, “o otimista é um mal informado por natureza”. Sou realista!
Acredito na sábia sentença: “O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas”. O jeito, portanto, é ajustarmos nossas velas, pois ondas enormes estão a caminho. Tsunamis poderão nos tragar e engolir. Se não estivermos atentos a mudança do Tempo o nosso barco seguirá rumos e direções desconhecidas. Ou mesmo afundar. Trinta anos quase completos não sei se meu barco me levaram daqui a dez anos a um porto, cais seguro. Espero e desejo a sorte e o destino de Odisseu. Ter um filho, uma esposa e um cachorro me esperando.
O autor, José Renato Ferraz da Silveira, é professor do IESB-Preve e Colégio Fénix