A Corregedoria da Polícia Civil em Bauru está investigando os incidentes ocorridos durante a rápida passagem do governador José Serra pela cidade na última sexta-feira. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) alegou que não tinha informações sobre o procedimento, mas o JC apurou que o objetivo é identificar quem são as pessoas que se aproximaram do governador e, na avaliação da polícia, cometeram excessos. E também apurar o motivo pelo qual pessoas passaram mal logo em seguida - se realmente foram atingidas por gás pimenta - e quem utilizou a arma de efeito moral.
Na ocasião, policiais civis de Bauru em greve, usando buzinas e apitos, protestaram quando Serra passou pelo Calçadão. Enquanto ele cumprimentava comerciantes e populares, uma pessoa se aproximou e, com dedo em riste, falou ao governador. Após Serra ter deixado o local, parte dos manifestantes permaneceu no Centro, assim como um grupo de cabos eleitorais do então candidato a prefeito Caio Coube, apoiado pelo governador.
Os policiais estavam de um lado da rua e os partidários do outro. Em dado momento, pelo menos três pessoas passaram mal, apresentado sintomas de quem é atingido por gás pimenta, inclusive esta repórter. Uma garota de 18 anos foi internada em observação por algumas horas no Pronto-Socorro Central devido a uma reação alérgica ao gás.
Protesto
Ontem cerca de 150 policiais civis de Bauru e região em greve aproveitaram o Dia do Servidor Público – feriado comemorado hoje, mas antecipado para ontem - para participar de uma manifestação na Capital. De acordo com Edson Cardia, delegado regional do Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo (Sindpesp), o protesto foi pacífico.
Policiais civis de Bauru e região lotaram três ônibus para ir à Capital. Em São Paulo, participaram da manifestação organizada pelos sindicatos e associações da classe. O primeiro ato foi realizado durante a tarde. Sete mil policiais civis, segundo estimativa dos organizadores, paralisaram o centro de São Paulo numa caminhada que começou na Praça da Sé e seguiu até a sede da Delegacia-Geral de Polícia, na rua Brigadeiro Tobias, passando pela Secretaria Estadual da Segurança Pública.
Durante a manifestação, além de reajuste salarial de 15% neste ano e 12% nos dois anos seguintes, os grevistas pediram a saída do secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão.
Está marcada, para quinta-feira, audiência pública na Assembléia Legislativa. “Estamos formando uma comissão para irmos até a Assembléia para discutir o projeto enviado pelo governador”, afirma Cardia. Serra ofereceu reajuste linear no salário-base de 6,5% para as três polícias em 2009 e mais 6,5% em 2010.