10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Obama e Rodrigo, vencedores por excelência


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Num período em que a política partidária anda desacreditada, e as organizações não-governamentais (ONG’s) crescem no vácuo da burocracia e incapacidade do setor público, constituindo o chamado Terceiro Setor, o surgimento de novas lideranças políticas, ligadas a movimentos sociais, demonstra que a participação popular no processo eleitoral está cada vez mais condicionada às realizações daqueles que elaboram projetos e executam programas sociais, mesmo sem um mandato específico.

Dois exemplos consideráveis são dois vencedores por excelência. Duas surpresas que surgiram timidamente e estremeceram o solo da velha política, acostumada às mesmices, tanto nos EUA, quanto no Brasil, especificamente em São Paulo, na cidade de Bauru.

Primeiro, Barack Obama, o desconhecido senador de Illinois, que em pouco tempo viabilizou seu nome para concorrer à Presidência dos EUA, pelo Partido Democrata, vencendo a popularíssima senadora Hillary Clinton, nas prévias de um complexo sistema eleitoral. Por ser negro e desconhecido no país, era improvável que ficasse à frente da oponente, mas, contrariando as previsões, venceu a primeira etapa, a indicação democrata, e, se o humor dos eleitores - principalmente do Colégio Eleitoral -, permanecer como está, será eleito o primeiro presidente negro dos EUA, em 4 de novembro.

Segundo, Rodrigo Agostinho, o bem sucedido vereador que deixou a certeza da reeleição à Câmara Municipal de Bauru, para navegar entre tempestades e maremotos, na candidatura a prefeito da maior cidade da região do centro-oeste paulista. Resultado: surpreendeu pelo alto nível de conhecimento dos problemas locais e capacidade de arregimentar apoios, o que o levou à vitória no segundo turno, em 26 de outubro. Obama e Rodrigo têm vários pontos em comum. Obama atuou como líder comunitário e advogado na defesa de direitos civis, dirigindo diversas ONG’s, até enveredar pela política, perdendo a primeira eleição ao Congresso Americano (equivalente à Câmara dos Deputados, no Brasil), em 2000. Sem desistir, candidatou-se ao Senado, em 2004, sendo eleito. Depois disso, tornou-se um fenômeno eleitoral de projeção mundial.

Rodrigo emergiu da defesa ambiental, bandeira que empunhou ainda na adolescência, e também perdeu a primeira eleição à Câmara Municipal de Bauru, em 1996, apesar da boa votação. Atuou em ONG’s, foi eleito vereador em 2000, alcançou projeção internacional como ambientalista, foi reeleito com votação extraordinária, e chegou perto de uma cadeira na Câmara dos Deputados, em 2006. Agora, na condição de prefeito eleito, é um líder político promissor.

Mas o principal ponto em comum entre Obama e Rodrigo é que souberam extrair de aparentes derrotas o sumo de forças para prosseguir e atingir os objetivos, porque não entendem a política como um caminho solitário, mas uma ciência praticada coletivamente, um mecanismo de realização de idéias, a tribuna voltada à defesa de causas sociais, buscando o bem comum.

Elson Teixeira Cardoso - escritor