Bogotá - Num duro relatório divulgado ontem, a Anistia Internacional cobrou que EUA e outros países interrompam o envio de ajuda militar à Colômbia, além da venda direta de armas ao país, até que as forças de segurança parem de matar civis e o governo Álvaro Uribe acate recomendações da agência de direitos humanos da ONU.
A ONG argumenta que, se os seqüestros estão em queda na Colômbia, aumentaram as execuções extrajudiciais, por ação direta de policiais e soldados, e a população deslocada pelo conflito.
Os EUA, principais aliados de Uribe, já transferiram a Bogotá US$ 5 bilhões desde 2000, a maioria em ajuda militar. O Departamento de Estado reafirmou ontem: a performance de Bogotá melhorou muito, mas há trabalho a ser feito.
Desertor
A maior guerrilha de esquerda da Colômbia está reduzida, desmoralizada e sem orientação política, disse ontem um rebelde que desertou e ajudou na fuga de um ex-parlamentar mantido refém por mais de oito anos.
Wilson Bueno Largo, codinome “Isaza”, que recebeu a promessa de uma recompensa do governo de quase US$ 500 mil e uma nova vida na França, foi um guerrilheiro das Farc que desertou e durante três dias andou pela selva com Oscar Tulio Lizcano, um político que foi mantido refém. “As Farc, neste momento, são um grupo já muito reduzido. Sem uma orientação política, as Farc vão desaparecer. Os guerrilheiros estão sem moral, com descomposição interna”, disse Isaza, 28 anos, em entrevista à imprensa.