Por mais indesejada que seja, a questão “vulnerabilidade econômica” foi tema onipresente em todos os estandes da 25ª edição do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, durante apresentação das montadoras, e seus respectivos lançamentos, para a imprensa.
O evento no Anhembi, que será aberto oficialmente amanhã para o público – permanece até 9 de novembro, ocorre, justamente, no apogeu da turbulência financeira global. Entretanto, o momento, de acordo com os executivos das montadoras, apesar das incertezas no ar, é “temporário”. “As medidas do governo já agem e o quadro é passageiro”, confia Cledorvino Belini, presidente da Fiat, durante coletiva que abriu as atividades no salão, restritas aos jornalistas ontem e segunda-feira.
O discurso otimista é reforçado com números que apontam crescimento nas vendas, que, no entanto, já têm leve descompasso com os prognósticos do primeiro semestre. “No início do ano preparamos um crescimento de 30%. Hoje crescemos cerca de 20, 30%”, reconhece o chefe da montadora italiana no País, que, entretanto, minimiza os efeitos da turbulência econômica. “Não podemos criar uma crise onde não tem. Apenas neste ano, nossa média diária de vendas cresceu 5,5% em relação a 2007”, enumera. “Esperamos fechar bem o ano”, vislumbra.
Marcos Oliveira, presidente da Ford, também tratou de amenizar o quadro de vulnerabilidade monetária, ao afirmar que a montadora norte-americana tem “gordura para queimar”, descartando cortes nos orçamentos no Brasil, mesma postura anunciada pela General Motors, conforme seu presidente no País, Jaime Ardila.
Presença confirmada na avant premiere do Salão, marcada para hoje à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou, semana passada, que não deixará a indústria automobilística desamparada. O setor, conforme Lula, é “primordial” à propulsão do crescimento econômico do País.
A minimização de possíveis efeitos da crise, além de questão de ordem em todos os estandes, também é tônica entre outros representantes do setor automobilístico. “O consumidor brasileiro terá aqui a oportunidade de acompanhar tudo em sintonia com os principais eventos mundiais”, incentiva Jackson Schneider, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que aponta o salão paulistano entre os cinco maiores do mundo.
Conceito ecológico
Boa parte dos chamados “carros conceito” foi direcionada à questão ambiental, com o desenvolvimento de protótipos ecologicamente corretos. A Fiat, primeira montadora a apresentar suas novidades no salão deste ano, veio com seu modelo “Bugster”, concebido com matéria-prima “limpa” (sem prejuízo ao meio-ambiente) e com motor elétrico. O carro ainda apresenta o diferencial de ser produzido mediante a nanotecnologia.
Com o mesmo tipo de alimentação do propulsor, a GM apresentou o seu “Volt”, carro que celebra os 100 anos de atividade da marca. Entre os protótipos com envergadura ecológica, também figura o LRX, da Land Rover. O conceito, com propulsão híbrida entre biodiesel e eletricidade, além da menor emissão de poluentes, promete manter a tradição da marca, célebre no desempenho do gênero off Road.
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Números gigantes convivem com a chegada dos ‘nanicos’
Com um total de 170 expositores, a 25ª edição do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo expõe 420 modelos – apresentados por 36 marcas – com expectativa de reunir público aproximado de 600 mil visitantes em dez dias, além dos números e variedade gigantes, tem como uma das principais novidades os supercompactos, apresentados com grande empolgação por parte das montadoras.
Logo na abertura das apresentações fechadas à imprensa, realizadas ontem e segunda-feira, a Fiat exibiu o pequenino “Fiat 500”, tradicional na Itália – onde é fabricado há 50 anos - e que deve ser importado em breve ao Brasil.
A Mercedes também apresentou seu “carrinho”, o Smart Fortwo”. O ultracompacto, projetado para apenas duas pessoas, a princípio, de acordo com a montadora, deve chegar previamente apenas para comercialização no Estado de São Paulo, com preço variante entre R$ 55 mil e 60 mil – caso o dólar permaneça com câmbio na faixa de R$ 2,20 no ato do lançamento. O modelo da Mercedes foi apresentado pelo nadador César Cielo, ouro em Pequim.
Gigantes
Mas, se por um lado, os pequenos veículos com preços relativamente módicos chamam a atenção, o oposto também deverá fazer brilhar os olhos dos aficionados que visitarem o salão a partir de amanhã. Desde as robustas SUVs e picapes, que continuam com lançamentos em ritmo acelerado, em variadas marcas, o público também encontrará o status e respectivo “preço seletivo” dos bólidos de alto luxo, entre eles o Pagani Zonda.
Desembarcado no País pela importadora Platinuss, o modelo italiano pode ser observado no mesmo estande da Porsche, e é oferecido na “módica” quantia de R$ 4 milhões. O comprador desse quilate terá o prazer de desfrutar de uma máquina com potência de 659 cavalos.
A supermáquina foi apresentada pelo seu próprio criador, o também italiano Horácio Pagani. Foi ele quem levantou o manto que cobria o carrão – cujos motores chegaram a ser ligados -, exibido ao lado dos não menos cobiçados bólidos da Lamborghini, exibidos nos modelos Gallardo Spyder, Gallardo Superleggera e Murciélago LP 640 – o carro usado pelo Batman, em seu filme mais recente. Ambos podem ser levados para a garagem pelas respectivas “bagatelas” de R$ 1,5 milhão, R$ 1,55 milhão e R$ 2,3 milhão.
• Serviço
25º Salão Internacional do Automóvel
Data: de 30 de outubro a 9 de novembro
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209 - Parque Anhembi - São Paulo/SP.
Horário: de 30/10 a 8/11, das 14h às 22h (com entrada permitida até às 21h); dia 09/11, das 11h às 19h (com entrada permitida até às 17h).
Ingressos: R$ 30,00 para maiores de 12 até 64 anos. R$ 20,00 para crianças de 5 a 12 anos. Maiores de 65 anos e menores de 5 anos não pagam.
Informações: (11) 3291-9111/6283-5011 www.salaodoautomovel.com.br