Coitada da arte culinária árabe! Brasileiro, descendente de libaneses graças a Deus, fiquei abismado quando tomei conhecimento de uma receita de quibe de sardinha, substituindo a carne, e abóbora ao forno, publicada no folder de uma grande empresa fabricante de produtos farmacêuticos. Imaginem, receitas desenvolvidas por uma consultora em nutrição e culinária! Quibe sem carne, sem hortelã, sem pimenta árabe e com abóbora! Era só o que faltava...
Absoluta falta de respeito ao bom gosto e à tradição libanesa. Na receita do quibe (?) de sardinha, o trigo é usado. Ora, só por que tem trigo é quibe? Assim, todos alimentos que usam trigo deveriam ser chamados também de quibe? Pelo amor de Deus!
Além do quibe, onde já se viu esfiha de queijo, esfiha de cachorro quente, esfiha disso e daquilo? Com bom descente árabe, devoro, com paixão, esfihas abertas e fechadas de carne, coalhada e legumes. Mas de cachorro quente... Estou definitivamente fora e p. da vida! Não sou contra determinadas receitas, mas, pelo amor de Deus, que lhes sejam dados outros nomes não maculando tradições e a história secular da arte de fazer comida.
Por que não chamar de “Sardinhas com abóbora ao forno? O que é que o “quibe” tem com isso? Esse desrespeito à culinária, me lembra a deliciosa e milenar pizza italiana, mussarela e presunto, também com a sua origem violentada. Apesar da variação na sua composição como a historia nos conta, onde já se viu pizza de banana, chocolate e doce de leite?
Pizza de estrogonofe, lombo e até, absurdo, pizza de sorvete e de carne seca? Será que tem italianos ou descendentes tradicionais que comem essas “pizzas”? Voltemos ao quibe. Que me desculpem o laboratório e a nutricionista, mas em termos de marketing a tal receita de quibe com sardinha e abóbora ao forno as compromete seriamente junto aos apreciadores do quibe tradicional, independente de ser árabe ou não.
Milhões de brasileiros e de outras raças adoram comer o verdadeiro quibe assim como se deliciar com a verdadeira pizza. Os responsáveis pela publicidade do laboratório, desta vez, pisaram na bola e os convido para saborearem, na minha casa, o verdadeiro quibe libanês. E saibam que a minha esposa é descendente de italianos, espanhóis e portugueses e faz o legítimo e delicioso quibe árabe!
Deixando a pobre da sardinha em paz e a abóbora para o dia das bruxas que não tem nada com a ignorância, para não dizer burrice ou falta de respeito às tradições, fico com o meu gostoso quibe libanês e a histórica e deliciosa pizza italiana. Bom apetite aos que apreciam quibe e pizza!
Munir Zalaf - amante do quibe e da pizza - RG 2.726.959