11 de julho de 2026
Economia & Negócios

IGP-M alto poderá reajustar contratos de aluguel em 12%

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Para quem paga aluguel, uma má notícia. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), que é a principal taxa de referência para os contratos de aluguel, fechou em 12,23% no acumulado dos últimos 12 meses.

O economista Reinaldo Cafeo avalia que o inquilino já é prejudicado logo que assina o contrato de aluguel. Ele lembra que o ideal seria que os contratos não fossem indexados pelo IGP-M, pois o índice está sujeito às variações do dólar e preços internacionais.

“Por isso, eu entendo que o IGP-M nunca deveria ser o balizamento destes contratos. Cria um desequilíbrio porque ele (o índice) tem 60% do atacado e esses preços são muito sensíveis a mudança do dólar e preços internacionais”.

Para o economista, independentemente do índice, em tempos de crise mundial vale o bom senso dos proprietários de imóveis na hora de reajustar os preços sem que, necessariamente, precisem repassar o IGP-M integralmente. “Se o dono do imóvel percebe que num momento como este não vai achar tão facilmente gente para alugá-lo, entre perder um inquilino que pague em dia e eventualmente ter que alugar de novo, me parece que os proprietários estariam abertos a uma negociação”, pondera.

Negociação

Wânia Pôrto, proprietária de imobiliária em Bauru, também é da opinião de que existe margem para negociar com o inquilino. “Aquele que é inquilino antigo, que paga direitinho, que o aluguel é muito alto e está sem reajustar, sempre existe a negociação. Pelo menos a prática da minha imobiliária é esta”, comenta. “Nós aplicamos (o índice), e se ele (locatário) não concordar, nós tentamos uma negociação com o proprietário baseado no seu histórico, se é bom pagador ou se não é”, completa.

No entanto, ela acredita que, devido à estabilização da economia brasileira, o repasse de 12,23% no reajuste dos aluguéis não deve pesar no bolso do locatário. “Como o valor de 12% basicamente não é muito, normalmente é repassado, sim, ao inquilino porque ele não sente. Porque a inflação está estabilizada”, calcula.

Cafeo ressalta que o inquilino deve insistir na negociação, pois um imóvel parado tem um ônus para o proprietário. O que não deixa de ser uma vantagem para o locatário na hora de negociar. “O ônus de dois ou três meses (de imóvel parado) mais o que vai ter que pagar para a imobiliária pode ser que o proprietário abra a mão de um reajuste mais substancial. Em outras palavras, é a busca pelo bom senso”.