09 de julho de 2026
Regional

Maestro mostra o que Lençóis tem para europeus

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Lençóis Paulista - O maestro Marcelo Maganha, regente da Orquestra Municipal de Sopros de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), viaja para a Espanha, onde demonstrará suas qualidades musicais aos europeus. Maganha irá reger duas orquestras espanholas no 4º Congresso Ibero-americano de Compositores, Regentes e Arranjadores de Orquestras de Sopro.

Maganha e o maestro Dario Sotelo são os únicos brasileiros convidados pelo governo espanhol para o evento, que acontece nas Ilhas Canárias, até 12 de novembro, promovido pelo Ministério da Cultura da Espanha. Os dois são professores de regência no Conservatório Doutor Carlos de Campos, em Tatuí.

“É uma honra e uma oportunidade profissional muito importante”, destaca Maganha, que terá todas as despesas pagas pelo governo espanhol.

Segundo ele, o objetivo do evento é a troca de experiências e mostrar ao público espanhol o que existe na música de sopros mundo afora. “Foram convidados outros dois regentes da América Latina e tem gente dos Estados Unidos”, ressalta.

O maestro lençoense vai reger apresentações da orquestra municipal da cidade espanhola de Las Palmas, no dia 10 de novembro, e a Orquestra Profissional do Conservatório das Ilhas Canárias, no dia 11.

Marcelo Maganha tem 31 anos, toca violão clássico e trumpete, é formado em música pela Universidade do Sagrado Coração, de Bauru, e em regência pelo Conservatório de Tatuí, onde atualmente é professor.

Além do trabalho erudito, ele também transita no momento pelo universo da música sertaneja, como diretor musical de André & Matheus, dupla de Lençóis.

A orquestra

A Orquestra Municipal de Sopros de Lençóis Paulista existe há 13 anos e surgiu da antiga tradição de bandas musicais. Atualmente, são 46 integrantes. Embora vários tenham formação musical, nenhum músico vive da orquestra, que paga uma bolsa de R$ 190 por mês a cada músico. A orquestra mantém ainda uma banda experimental jovem, para formação de novos instrumentistas.

Eles formam um conjunto musical erudito, mas sofrem as mesmas agruras de qualquer banda de garagem, de rock, MPB, pagode ou forró. Em 13 anos de existência, mudaram-se sete vezes. Algumas por incomodar os vizinhos, outras por serem incomodados. Os músicos da Orquestra Municipal de Sopros de Lençóis Paulista estão experimentando a sensação de sair do aluguel para a casa própria, um estúdio de cerca de 200 metros quadrados, especialmente construído para proporcionar conforto, comodidade e qualidade musical. A mudança para a casa nova tem uma emoção a mais: é lá que o grupo vai gravar neste final de semana seu primeiro CD.

“A placa na parede é nossa escritura”, compara o presidente da orquestra, Marcos Norabele. “O primeiro ensaio foi, para mim, uma emoção tão grande, porque me lembrei de tudo que a gente passou, dos lugares apertados onde já ensaiamos, de quando não tínhamos nem um veículo para levar os instrumentos e hoje temos um espaço com uma estrutura fantástica”, completa o maestro Marcelo Maganha, regente e diretor artístico.

A sede da orquestra ocupa todo o segundo andar de um anexo construído integrado ao prédio onde funcionam a Casa da Cultura e a Diretoria de Assistência Social, na esquina das ruas Sete de Setembro e Ignácio Anselmo, no centro da cidade.

O maestro Maganha explica que o local foi projetado para obter a melhor qualidade de som. “O forro tem desenho especial e é feito de material termo-acústico. As paredes receberam revestimento de isopor e madeira crua até a altura de 80 centímetros, para absorver o som”.

As facilidades na nova sede incluem até um elevador de carga, projetado por engenheiros da própria prefeitura para facilitar a retirada dos instrumentos na hora de levar para os locais de apresentação.

Todas essas comodidades serão testadas já no final de semana, quando a sede será o estúdio onde a orquestra grava seu primeiro CD. Gravar em estúdio seria complicado porque nenhum comportaria 56 músicos e os instrumentos. “Procuramos locais na região, mas os técnicos acharam que a própria sede tinha as condições ideais e como nunca gravamos, estar todo mundo junto, no nosso próprio espaço, ajuda a controlar um possível nervosismo”, avalia o maestro.

A maratona de gravações começa na sexta-feira e vai até a segunda. Será uma experiência sem precedentes para os 56 músicos, todos amadores, das mais variadas origens, profissões, classe social e idade.