09 de julho de 2026
Bairros

Cemitérios municipais sofrem falta de segurança

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

As condições de abandono em que se encontram os cemitérios municipais em Bauru tem fomentado cada vez mais a preferência das famílias por sepultar seus familiares nos cemitérios mantidos pela iniciativa privada na cidade.

Além de modernos e com um ambiente menos ‘pesado’ que os cemitérios municipais, esses empreendimentos se aproveitam das condições de abandono em que se encontram os cemitérios municipais para oferecer diversos planos de pagamento para aquisição de seus jazigos.

Além do abandono, apenas um dos um dos cinco cemitérios administrados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) possui condições para ser ampliado, os demais não contam mais com espaço físico para a comercialização de novos jazigos.

Outro problema que diminui a preferência das famílias pelos cemitérios municipais é a falta de segurança. Constantemente, esses locais são invadidos por vândalos à procura das peças de bronze que ornamentam os túmulos.

Recentemente, a própria assessoria de imprensa da Emdurb informou que as ocorrências do tipo chegam a 30 registros mensais. O cemitério localizado no Jardim Redentor em Bauru é o mais invadido: mais de 90% das ocorrências do tipo são registradas no local. O muro com altura máxima de 1 metro e meio não consegue coibir a ação dos bandidos.

No Cemitério Cristo Rei, localizado no Parque Roosevelt, a situação ainda é mais grave. No local o alambrado colocado para proteger toda a área tem diversos buracos e até durante o dia é fácil flagrar pessoas desocupadas zanzando por seus corredores.

Maria Rosa Idalgo diz que já perdeu as contas de quantas vezes foi ao cemitério Cristo Rei, onde a família possui um jazigo, e encontrou parte do túmulo destruída e sem as peças ornamentais. “Graças a Deus nunca mexeram lá dentro, mas a gente vive com medo porque aqui mesmo já teve sepultura que foi mexida”, relata.

O problema dos furtos constantes das peças que ornamentam os jazigos é registrado nos cinco cemitérios municipais. Mesmo no Cemitério da Saudade, onde existe cerca elétrica sobre o muro, os bandidos também agem.

Osmarina Miguel da Silva, coveira no Cristo Rei, conta que o único jeito para coibir a ação dos ladrões de cemitério é não ornamentar os jazigos com peças de bronze. “Se a família quiser a gente até coloca, mas avisa que provavelmente não irá durar muito tempo”, conta.

Orientados pelos funcionários do local, as famílias têm optado por colocar placas e puxadores feitos de mármore, que para os ladrões não têm nenhum valor.

Procurado, Carlos Barbieri, presidente da Emdurb, preferiu não se manifestar sobre a falta de segurança nos cemitérios. Ele informou por meio da assessoria de imprensa que a empresa tem conhecimento do problema, mas que não conta com dinheiro disponível para realizar as obras para coibir esse tipo de ação ou contratar funcionários para realizar a segurança no local.

Enquanto apenas um dos cinco cemitérios municipais não se encontra com sua capacidade esgotada, os empreendimentos particulares cada vez ganham mais espaço. Até final deste ano, a cidade, que já conta com um cemitério parque e um memorial vertical, deverá ganhar outro cemitério privado, o Jardim dos Lírios, com capacidade para 25 mil sepultamentos.

Além de disponibilizar novas vagas, os cemitérios administrados pela iniciativa privada oferecem muito mais segurança do que os municipais. Só no cemitério Parque dos Ypês trabalham cerca de 30 pessoas, que, além de garantirem a segurança do local, mantêm a limpeza e a ordem.