11 de julho de 2026
Cultura

Jornais são empastelados nas Revoluções de 1930 e 1932


| Tempo de leitura: 2 min

Em um intervalo de dois anos, o país sentia os efeitos de duas revoluções armadas. Durante esse período de conflito, três jornais de Bauru foram alvos de correligionários da revolução, em decorrência dos resultados obtidos no campo político: o “Correio de Bauru”, “Diário da Noroeste” e “A Tribuna Operária”. Em 1930, a vitória da Aliança Liberal, movimento liderado por Getúlio Vagas, representado pela união dos estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul no processo que culminou com o golpe de Estado que depôs o presidente paulista Washington Luís, fez com que os adeptos do movimento revolucionário saíssem às ruas para festejar o resultado conquistado. Pelegrina conta que os gaúchos que chegavam à cidade eram recebidos sob aplausos e festejos dos cidadãos bauruenses. “Eles eram facilmente identificados na cidade pelo peculiar lenço no pescoço, acessório que era colocado até nos cavalos”, diz.

Durante a comemoração, o grupo partiu em direção à esquina da rua 1º de Agosto, na qual se localizava a redação do jornal “Correio de Bauru”, o primeiro jornal diário da cidade, fundado por Manoel Ferreira Sandim, José Maringoni e Domiciano Silva, e que combatia duramente o Partido Democrático, cuja composição abarcava setores sociais que se opunham ao Partido Republicano Paulista e políticos dissidentes do próprio PRP. Enfurecidos, os revoltosos de 30 depredaram e empastelaram o periódico. Não satisfeitos, eles se encaminharam até a esquina da avenida Rodrigues Alves com a rua Rio Branco, rumo à sede do jornal “Diário da Noroeste” e, assim como o Correio, teve seus documentos, móveis e máquinas queimados na rua.

Já na revolução Constitucionalista de 1932, a vítima foi o jornal “A Tribuna Operária”, de propriedade do jornalista Carlos Guewe, comunista e que era contra o movimento liderado por São Paulo. O empastelamento aconteceu quando os ex-combatentes na revolução, ao retornarem dos locais de batalha, se dirigiram à quadra sete da rua Batista de Carvalho, onde ficava o prédio do jornal e atearam fogo em arquivos e maquinas de impressão do periódico.