09 de julho de 2026
Nacional

Amorim discutirá exportações na OMC

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Genebra - O chanceler Celso Amorim irá discutir a partir de hoje na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, estratégias para garantir um melhor acesso de exportadores a créditos e evitar, assim, que a crise financeira interrompa os fluxos de exportação. Dados preliminares da OMC apontam que nem o Natal deve salvar o comércio mundial de uma estagnação. A entidade projeta uma interrupção do crescimento dos fluxos mundiais nos últimos três meses do ano. A estagnação, se confirmada, será a primeira em sete anos. A OMC, inspirada em uma proposta brasileira, convocou o Fundo Monetário Internacional, bancos e até o BNDES para uma reunião dia 12 com o objetivo de debater formas de destravar o comércio.

O Brasil, segundo analistas, seria um dos países mais atingidos por uma falta de crédito de exportação para o setor de commodities. Não por acaso, Amorim quer discutir com o diretor da OMC, Pascal Lamy, formas de facilitar esse acesso a créditos e flexibilizar condições para que o comércio não seja ainda mais afetado.

Na OMC, a estimativa era de que o comércio mundial teria um crescimento de 4,5% em 2008. No primeiro semestre, o economista da entidade, Micheal Finger, garante que a taxa ainda foi positiva. Mas o terceiro trimestre já demonstrou uma forte queda “Para o quarto trimestre, não deveremos ter crescimento”, alertou. Há mesmo a possibilidade de que, em volumes, o comércio sofra uma queda real.

A desaceleração nos Estados Unidos e Japão, além da recessão em algumas das maiores economias da Europa estão reduzindo de forma importante as demandas.

A quebra de empresas de brinquedos na China é, para a entidade, um sintoma dos problemas. Os chineses são hoje os maiores fabricantes de brinquedos do mundo e a falência de uma empresa em plena época de contratos fechados para o Natal é considerado como “revelador”. Na Europa, empresas de carros fecham suas portas por algumas semanas diante da demanda fraca. “Nos Estados Unidos, as perspectivas são de um Natal com vendas 2% abaixo do que vimos em 2007”, afirmou Finger.

No setor de cargas, as evidências já são claras de que há uma contração do comércio. A América Latina sofreu a maior queda em todo o mundo no fluxo de cargas aéreas em setembro, indicando que as exportações podem sofrer de forma dura nos próximos meses Os dados são das 240 principais empresas aéreas do mundo que registram uma queda de 14,6% no transporte internacional de cargas da América Latina em comparação ao mesmo período do ano passado.

No mundo, a queda é de 7,7% no fluxo internacional. Na Ásia, a queda foi de 10,6%, contra 6,8% na Europa e 6% nos Estados Unidos. Os índices apontam que haverá certamente uma redução nos fluxos do comércio internacional no mês de setembro.

A nova comissária de Comércio da UE, Catherine Ashton, também alertou que o comércio mundial “já está em queda”. “O comércio e fluxos de investimentos estão caindo. A demanda está caindo nos mercados desenvolvidos diante de cortes de gastos por consumidores. Deveremos ver o mesmo nas economias emergentes”, afirmou Ashton. No caso do Brasil, os dados preliminares da OMC apontam que as importações estão crescendo a um ritmo bem mais elevado que as exportações. “No terceiro trimestre do ano, as importações aumentaram em 57%, contra uma alta de 39% das exportações”, alertou Finger. A taxa de aumento de importação é considerada pelos analistas como “incrível”.

Parte da explicação é o crescimento do mercado interno nesse período. Mesmo com o desempenho brasileiro, o comércio mundial deve sofrer. O Brasil representa apenas 1% dos fluxos mundiais e uma elevação no País ainda tem pouco impacto no cenário internacional.