10 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Atropelos de uma pescaria


| Tempo de leitura: 2 min

No regresso de uma pescaria no rio Miranda, meu vizinho Luiz me contou os atropelos dessa façanha. A comitiva era composta dos seguintes pescadores: Luiz, Atílio, João e Toni. Partiram de Bauru num carro antigo, um Fiat 147 a álcool. Nem é necessário comentar o transtorno dessa viagem, que durou quatro dias!

O carro só andava bem nas descidas e nas subidas, o combustível não chegava ao motor. A cada oficina que encontrava no trajeto eram substituídas algumas peças e faziam limpeza do carburador. A viagem foi uma tormenta!

Após muito sofrimento, chegaram ao destino e foram direto para a casa de um irmão deles, o Jesus, que morava e trabalhava lá. Antes de partirem para pescaria, o Jesus alertou a todos que no caso de enxames de pernilongos era necessário levar todo o equipamento para dentro da mata.

No trajeto da barranca do rio até a mata era para observarem barulhos, pois existem lá muitas queixadas (porco do mato) e que andam em manadas. As queixadas possuem enormes dentes e são pontiagudos. Na correria da manada, elas fazem estragos totais das lavouras existentes, destruindo-as completamente.

Assim, caso ouvissem um barulho forte e ensurdecedor na mata, era necessário subir rapidamente em árvores para se protegerem, porque as queixadas levam tudo, fazendo um enorme barulho!

Logo que entraram na mata, ouviram um ruído muito forte, cujo barulho ia aumentando rapidamente. Em seguida e baseados no conselho do Jesus, subiram numa árvore bem alta. O Atílio foi parar na copa e lá do alto observou que um trem da estrada de ferro Noroeste do Brasil vinha vindo trafegando em direção a Porto Esperança. O barulho da locomotiva fazia eco na mata e todos pensavam ser as tais queixadas que se aproximavam deles. Percebendo o engano, desceram da árvore e suspiraram aliviados com sorrisos disfarçados!

O regresso foi bem melhor e mais rápido, porque ao saírem do rio Miranda encontraram bem perto deles um alicate que serviu de ferramenta para apertar a rosca do tanque de combustível do carro, que retornou para Bauru sem parar na estrada. Segundo me disseram, o alicate foi encontrado entre os ossos e espinhas de um grande peixe que talvez seja o tal citado pelo Fernando Lucilha Jr. em história relatada dia desses.

Dorival Nogueira é pescador e contador de histórias.