Faltando 48 dias para terminar 2008, muitas pessoas já estão pensando nos feriados do próximo ano. A boa notícia para quem pretende viajar e descansar é que 2009 terá uma quantidade menor de dias úteis quando comparado a este ano, serão dez feriados que caem entre segunda e sexta-feira.
Márcio Marques Guedes da Silveira é um bauruense apaixonado por feriado e aventura. Ciclista nos tempos livres, ele aproveita a folga para pedalar. Silveira conta que há alguns anos, ele e um grupo de 30 amigos viajam de bicicleta. Neste período, conheceram regiões como Graciosa, em Curitiba, o Vale do Ribeiro, Águas de São Pedro, entre outros lugares da região. Para o feriado do dia 15 de novembro, a programação do grupo inclui Rio Pardo. “Hoje, vamos sair de Bauru rumo a Lençóis Paulista, onde vamos nos encontrar com mais 40 pessoas. De lá, seguimos pedalando para Santa Bárbara e o destino final é Rio Pardo”, conta. “Os feriados são fundamentais para o grupo porque é o único jeito que temos de viajar. Em muitos passeios, principalmente os mais distantes, é preciso mais de um, dois dias”, acrescenta.
Em 2009, o grupo programa viajar para Parati (RJ). “Todo início de ano nos reunimos com o calendário na mão para ver os feriados e programar os passeios e viagens”, revela Silveira.
Segundo José Fernando Ruiz Maturana, procurador do Trabalho em Bauru, os feriados são importantes para a recuperação do trabalhador. “Ele não é uma máquina, não tem que apenas produzir, o trabalhador precisa de um período de descanso para proteger a saúde. Fato que beneficia o Estado, pois quando o trabalhador fica doente ou sofre algum acidente, quem paga é a sociedade”, afirma.
Maturana conta que, no início, o feriado começou a fazer parte do direito do trabalhador com um fundamento religioso, mas após a Revolução Industrial ganhou o foco de descanso obrigatório. “Isso aconteceu com o objetivo de prevenir a fadiga gerada pelo trabalho, pois está cientificamente comprovado que o descanso interfere na saúde do trabalhador. Além disso, a folga nos feriados possibilita o convívio com a família”, explica. “O feriado também é um importante elemento histórico e social, um elo que mantém a sociedade unida, é uma forma de respeitar a cultura e a história de um povo”, finaliza o procurador.
Ariston Caetano, chefe de secretaria do Ministério Público do Trabalho, explica que em muitos casos há possibilidade de emendar os feriados, mas tudo depende do acerto que é feito entre o sindicato da categoria e a empresa. Foi pensando nisso que o Ministério junto à Procuradoria do Trabalho lançou a cartilha de bolso intitulada “Diretos dos Trabalhadores”.
“A cartilha é distribuída gratuitamente e possui a legislação e os direitos dos trabalhadores. Fala sobre fundo de garantia, aviso prévio, doenças ocupacionais, acidente de trabalho, questão de folga, entre outros assuntos”, explica Caetano. “Na questão dos feriados e dos finais de semana, o ideal é o sindicato junto à empresa fazer a negociação para estabelecer os critérios”, finaliza.
Economia
Apesar do alto número, os feriados não devem ter influência negativa nos setores econômicos. Cláudio Gonçalves, economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo, afirma que a economia atual é diferente da década de 1980. “A negatividade funcionaria e funcionou no passado, pois o comércio não era dinâmico como é hoje. O que eu vejo, é que quando tem mais feriados, alguns setores precisam se adequar para não perder, enquanto outros se beneficiam”, afirma Gonçalves. “Por exemplo, antigamente não existia o funcionamento do shopping aos domingos e feriado. Hoje, dada a evolução da economia, do mercado consumidor, a gente percebe que mesmo com feriado o comércio não pára”, acrescenta.
Segundo o economista, existem estudos que mostram uma pequena perda no setor da indústria em relação a produção, pois as máquinas param. Em contrapartida, a indústria do lazer e o setor de serviços relacionados as pessoas ganham. “Isso acontece porque as pessoas saem dos escritórios e das indústrias para consumir em setores não habituais”, revela Gonçalves.
Devido ao índice de feriados nos dias úteis, o comércio de Bauru terá que se adequar. “Não tem como mudar, por isso, o comércio vai procurar alternativas. Estender o horário seria uma saída”, afirma Luiz Otaviano Machado, presidente da Associação das Empresas do Calçadão. “É bom ressaltar que nem sempre o feriado é ruim para o comércio. Apesar de Bauru não ter grandes atrativos turísticos, em muitos feriados que caem em terça ou quinta-feira, pessoas de outras cidades vêm visitar parentes e movimentam o setor”, complementa o presidente.