09 de julho de 2026
Geral

Umbanda faz 100 anos revigorada

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A umbanda completa hoje 100 anos de existência. Nascida nos terreiros do Rio de Janeiro, a religião chega ao seu centenário revigorada. Graças a um trabalho intenso para mostrar à sociedade seu verdadeiro significado, os umbandistas conseguiram diminuir a resistência a essa religião afro-brasileira. A intolerância religiosa e o preconceito ainda persistem, mas já é possível ver jovens andando pelas ruas com camisetas declarando a todos que queiram ler que ele é umbandista. Algo muito improvável alguns anos atrás.

A desmistificação da religião tem melhorado a diversidade social, racial e econômica dentro dos templos e terreiros, ou seja, une pobres e ricos, brancos e negros, jovens e idosos. O revigoramento da umbanda é o principal motivo de comemoração em seu centenário, segundo o sacerdote umbandista e presidente da Umbanda Fest, Ricardo Barreira.

Segundo ele, o fato da religião ter resistido ao longo desses 100 anos à intolerância religiosa e ao preconceito é outro motivo para festejar.

Para o próximo centenário, as perspectivas são as melhores possíveis. “Com certeza, os próximos 100 anos serão mais tranqüilos. O desafio deixa de ser de superação e passa a ser organizacional, ou seja, fazer com que os templos e os umbandistas ocupem seu espaço na sociedade”, prevê Ricardo.

Apesar do centenário ser completado hoje, não haverá nenhuma comemoração especial. Se isso ocorrer, ficará restrito aos terreiros.

A grande festa está marcada para o próximo dia 23, um domingo, no Teatro Municipal. As atividades começarão às 15h e devem seguir até as 19h. A entrada é uma caixa de leite longa vida.

Segundo ressalta Ricardo, a Umbanda Fest não será um evento religioso, mas cultural. Não haverá culto, mas apresentações artísticas voltadas ao resgate da cultura afro-brasileira.

Entre as atrações estarão danças afro, dança dos orixás, exibição de documentário sobre a umbanda em Bauru, apresentação de capoeira e shows musicais. Entre os artistas que irão se apresentar no Umbanda Fest está Tião Casemiro, do Rio de Janeiro, considerado o “Zeca Pagodinho” da umbanda.

Estarão presentes também a cantora Luci Rosa, a Escola de Curimba Aldeia de Caboclos, ambos com CDs gravados, e grupos de curimbas dos terreiros de Bauru e de outras cidades. Segundo Ricardo, o evento trará para Bauru umbandistas de outros Estados, como Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

Para encerrar o Umbanda Fest em grande estilo, os organizadores do evento convidaram o cantor e compositor alagoano Carlos Buby, autor de grandes sucessos entre os adeptos da religião. O último deles é “Feiticeiro Negro”, que se transformou em hino contra a intolerância religiosa.

Um dos principais dirigentes espirituais da umbanda é Carlos Buby, responde por 11 templos, sendo dois no Brasil e o restante no Exterior. Em duas décadas, ele instalou templos nos Estados Unidos, Canadá, Portugal, Áustria, Suíça e França. Lugares onde a religião era praticamente desconhecida. O show deverá ter uma hora de duração.

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O nascimento da religião

Em 15 de novembro de 1908, o médium Zélio Fernandino de Moraes, considerado por muitos umbandistas como fundador da religião, teria incorporado o “Caboclo das Sete Encruzilhadas” em sua casa em Niterói. O fluminense Zélio tinha, então, 17 anos. Ele sofria de paralisia e os médicos não conseguiam curá-lo.

Um amigo da família sugeriu uma visita à Federação Espírita de Niterói. Ali, sua mediunidade teria sido revelada. A entidade “Caboclo das Sete Encruzilhadas” não teria sido aceita entre os espíritas por ser considerada inferior. A rejeição o levou a fundar a umbanda há 100 anos.

Em Bauru, a história da umbanda começou a ser escrita há cerca de 70 ou 80 anos. Ainda não existem provas que confirmem com certeza quando e como nasceu o primeiro templo na cidade.

Segundo o sacerdote umbandista e presidente da Umbanda Fest, Ricardo Barreira, existem em Bauru cerca de 800 templos de umbanda e aproximadamente 20 mil adeptos.

Em 2000, o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o número de umbandistas declarados era de 432 mil. Desde então, Ricardo acredita que os números mudaram porque o movimento nos templos e terreiros aumentou.