08 de julho de 2026
Polícia

Empresário é morto dentro de casa

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Cariene Magato Mauad testemunhou, na madrugada de ontem, seu marido Amilton Mauad, 51 anos, ser assassinado com um tiro à queima-roupa por um indivíduo que estava dentro da residência do casal. Proprietário de uma casa noturna na quadra 20 avenida Duque de Caxias, no Jardim Higienópolis, o casal foi surpreendido por duas pessoas que estavam na cozinha do imóvel, na rua São Lourenço, no Jardim Bela Vista.

O crime ocorreu por volta das 4h30 de sábado, quando Amilton e Cariene retornavam para casa, depois de mais uma noite de trabalho na casa noturna. Apesar de muito abalada pelo crime, ontem pela manhã, a esposa atendeu à reportagem na sala da residência para descrever o episódio.

O casal, com três filhos adultos, mora em uma casa com muros altos e portão eletrônico na garagem, na quadra 8 da rua São Lourenço. “Chegamos por volta das 4h30 e entramos com o carro na garagem. Quando entrei na sala e fui em direção à cozinha, dei falta de um vidro na janela do corredor, na lateral da casa. Comentei com meu marido e saímos ao corredor para ver”, descreveu Cariane.

Segundo ela, o empresário disse: “Tentaram entrar na casa”. O vidro retirado da janela estava intacto, do lado de fora, onde estavam, ao lado, uma faca e uma chave de fenda. “Demos a volta na lateral da casa para verificar. Eu entrei e peguei uma faca, enquanto meu marido foi para o fundo ver a edícula, que estava com luz acesa. Quando eu entrei na cozinha, uma pessoa apontou uma arma para minha cabeça e eu gritei”, relembra.

A esposa afirma que o criminoso apoiou uma das mãos em sua testa a empurrou para trás. “Meu marido veio correndo e quando ele entrou, a pessoa deu um tiro no Amilton e voltou a arma para minha cabeça. Eu comecei a gritar e a chamar pelo vizinho, enquanto meu marido ficou caído no chão. O rapaz segurou minha mão contra a parede e disse que se eu não desse a chave, o carro ia me matar. Eu continuei gritando pelo vizinho e ele começou a gritar para que eu ficasse quieta, senão ia me matar”, diz Cariene. O disparo fatal atingiu Amiltom no lado esquerdo do peito.

A essa altura, com os gritos e a movimentação chamando a atenção da vizinhança na madrugada, Cariene conta que viu outra pessoa saindo de um canto da residência e, correndo, foi para o corredor para pular o muro. “Eu não tinha visto essa outra pessoa, só o rapaz com a arma. Ele falou para o outro me deixar e ir embora e fugiu. O outro também saiu e me deixou na casa. Eu tentei acordar o Amilton, que estava caído desmaiado e logo depois o vizinho e a polícia chegaram”, completou a viúva.

Conforme a esposa, quando a viatura de socorro (Samu) chegou, Amilton já estava morto. Ela acha que o atendimento foi demorado. A Polícia Técnica foi acionada e fez perícia no local. Cariene Mauad informou que, depois do crime, percebeu que a casa estava revirada. Mas, até a hora do almoço, ainda muito abalada, não verificou se algum objeto havia sido levado.

Cariene Magato Mauad descreveu o autor do único disparo que matou seu marido como um rapaz jovem, com aparência de pouco mais de 20 anos, um pouco menor que ela – que tem 1,66 de altura -, moreno, forte. Ele usava uma camiseta branca amarrada sobre a cabeça, vestia camiseta e calça jeans. Ela não conseguiu prestar informações sobre a segunda pessoa, que surgiu de um cômodo da casa após o primeiro criminoso ter feito o disparo contra seu marido.

A esposa afirma que não tem idéia sobre eventual motivação para o crime. Amilton Mauad foi cinegrafista e operador de sistema na TV Globo em Bauru, por mais de 20 anos. Em 2006, o casal decidiu abrir uma casa noturna com música sertaneja.

O corpo do empresário está sendo velado na Funerária Terra Branca, Centro, e será sepultado hoje. Além de esposa e três filhos, o empresário deixa dois irmãos, um deles Nassib Mauad, que atuou durante muitos anos na Rádio Auri Verde.

Até o fechamento desta edição, a Polícia Civil não tinha pistas da autoria do crime. Cariene acredita que seu marido, Amilton Mauad, tenha sido vítima de latrocínio (roubo seguido de morte).