11 de julho de 2026
Nacional

Lula critica ‘medidas paliativas’ dos ricos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Pouco antes do início das sessões plenárias da cúpula do G20 sobre a crise financeira mundial, em Washington, ontem , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o que chamou de “medidas paliativas” dos países ricos e cobrou ações firmes para conter a situação. “(É preciso) resolver o problema crônico das políticas econômicas americana e européia. Não adianta soltar US$ 1,5 trilhão nos EUA se esse dinheiro não chega à ponta”, afirmou.

Segundo o presidente, esse é o valor que o presidente dos EUA, George W. Bush, disse durante o jantar ter injetado na economia americana. “Mas só US$ 250 milhões chegaram ao consumidor. O dinheiro que os bancos centrais injetaram nos EUA e na Europa precisam chegar à ponta”, disse Lula.

O brasileiro afirmou que o jantar a chefes de Estado, anteontem à noite, oferecido pelo presidente americano, deu o tom das duas sessões plenárias na manhã de ontem, com a ênfase na responsabilidade dos países desenvolvidos. “A melhor solução para evitar que a crise se alastre é que os países ricos resolvam os problemas. A situação americana é delicadíssima, até por causa da transição entre os presidentes, mas eu acho que Bush tem que assumir a responsabilidade. Ele é o presidente até 20 de janeiro e não pode vacilar no tratamento da crise”, disse Lula.

“No Brasil, depois do sacrifício que fizemos para manter a economia estável, não vamos abdicar de fazer o País crescer. Todas as medidas que o Banco Central vem adotando são no sentido de fazer com que o mercado interno supra parte da deficiência que vai haver no mercado externo com a crise nos EUA e na Europa.”

Desemprego

Questionado sobre o nível de desemprego na Europa, Lula não descartou temores de que efeito semelhante ocorra no Brasil. “Se a crise se aprofundar e as exportações caírem, a crise pode chegar a todos os países.”

A resposta do governo brasileiro, afirmou, é explorar o potencial do mercado interno e manter os investimentos que já estavam previstos. “O que pode acontecer de pior é que uma crise que começou por causa da especulação venha a criar problemas no setor produtivo de quem precisa crescer. A economia brasileira pode não crescer tudo o que gostaríamos, mas não pode deixar de crescer porque o povo precisa trabalhar.”

Lula disse que insistiu, durante o jantar com Bush, na necessidade de maior regulamentação no sistema financeiro. “Disse para o Bush: a vida inteira, quando eu era metalúrgico, para comprar uma televisão precisava trabalhar 40 horas extras por mês. Não é justo que alguém fique bilionário sem produzir uma única folha de papel, um único emprego, um único salário. Por isso é preciso uma regulamentação séria.” Menos de 24 horas antes, em discurso, o presidente Bush havia minimizado a necessidade de aumento da regulamentação do sistema financeiro.

Fim do G8

O presidente Lula afirmou ainda esperar que o encontro resulte no “reconhecimento do G20 como fórum de deliberação das grandes decisões necessárias à regulação do sistema financeiro. O G8 não tem mais razão de ser”, disse, insistindo na inclusão dos emergentes nos grupos decisórios. “Há que se levar em conta as economias emergentes no mundo globalizado. Se todos os presidentes estiverem de acordo com isso, vamos poder debelar essa crise com muito mais rapidez do que se espera.”