A gravidez traz alegrias, mas também alguns receios. Muitas mulheres têm medo de ganhar peso e mudar o corpo definitivamente. Algumas fazem até regimes durante a gestação, o que pode ser prejudicial a elas próprias e ao bebê. Considerando a importância da alimentação equilibrada durante essa fase, o ginecologista e obstetra Flávio Garcia de Oliveira elaborou o livro “Receitas para grávidas” (editora idéiaeação), com 50 receitas e cardápios variados.
“Sempre digo que a mulher não precisa ter medo. Quando engorda com uma alimentação saudável, perde tudo rapidamente depois do nascimento do bebê. O peso vai para a criança. E há muitos quilos só de água, placenta”, ressalta. “O objetivo é ter um ganho de peso adequado, com os alimentos certos. As pessoas têm mania de achar que o que é nutritivo não é gostoso. As receitas do livro provam o contrário.”
Segundo o ginecologista, durante cada trimestre a gestante deve focar em alimentos e vitaminas específicos. Nos primeiros três meses, os principais são o ácido fólico e vitaminas do complexo B. “É a fase em que todos os órgãos do bebê estão se formando: o ácido fólico auxilia na formação, principalmente do sistema nervoso. Ao mesmo tempo, previne a trombose e a anemia. A vitamina B também controla a formação dos órgãos”, explica o ginecologista, que prescreve suplementos vitamínicos durante toda a gestação. “Muitas vezes a grávida não consegue comer bem por causa das náuseas, então é melhor garantir a absorção dos nutrientes por meio dos comprimidos.”
No segundo trimestre, o objetivo é ganhar bastante peso - pois, no final da gestação, a mulher já não consegue comer muito. Ingerir ferro e fibras é essencial a partir do quarto mês. “O intestino começa a ficar lento para absorver os nutrientes, há constipação e uma tendência para aumentar o volume do sangue. Por isso, a mulher precisa de fibras e ferro. Pode perder até 1,5 litro de sangue num parto por cesárea.”
Finalmente, durante o terceiro trimestre, os nutrientes mais importantes são o cálcio e o ômega 3. “É o período de formação óssea do bebê, e a gestante corre o risco de ter osteoporose, por causa da perda de cálcio”, explica.
O médico recomenda tomar 1 grama de cálcio diariamente, ou quatro copos de leite. Durante a amamentação, o consumo sobe para 1,5 grama por dia. O cálcio previne ainda a pré-eclâmpsia - caracterizada pelo inchaço e pressão alta, que acomete 8% das grávidas.
Já o ômega 3 está relacionado aos processos cerebrais da mãe e do bebê. “O cérebro da grávida encolhe de 2% a 3% no último trimestre, o que costuma ocasionar lapsos e falta de atenção. Há estudos internacionais que constataram que as gestantes que ingerem ômega 3 apresentam essas ocorrências com menor freqüência. E o nutriente também previne os partos prematuros.”
Entre as receitas do livro, têm destaque as carnes - de vaca, frango, porco e peixe. E como ficam as mulheres vegetarianas? “A carne vermelha reúne proteínas e ferro. A proteína pode ser absorvida pelo leite, ovos e soja, mas esses alimentos não têm ferro”, informa. “Quando a gestante vegetariana controla bem isso, comendo gema de ovo, por exemplo, tudo bem, apesar de o ferro vegetal não ser tão bem absorvido quanto o animal. Se não come ovo, começa a ficar preocupante.”
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Líquidos
O ginecologista e obstetra Flávio Garcia de Oliveira, autor do livro “Receitas para grávidas”, destaca que o alimento imprescindível para as grávidas é a água. Devem consumir de 2 a 3 litros por dia. “É o principal hidratante da pele, e o melhor relaxante uterino que existe. Previne partos prematuros e mantém a pressão sangüínea no mesmo nível.”
Já café, refrigerantes e chá preto devem ser consumidos com moderação. “Em excesso, podem estimular o parto precoce e agitam o bebê.”
O médico ressalva que há metas alimentares e de ganho de peso diferentes para cada gestante. Quando a mulher é obesa, ou está muito magra, o primeiro passo é atingir o peso ideal. Em casos de gestação múltipla, deve-se ganhar muito mais peso em pouco tempo. “É fundamental estabelecer um plano alimentar e saber a qualidade do que é ingerido.”
A nutricionista Angélica da Costa Matte, que trabalha na mesma clínica do ginecologista e obstetra, calculou os nutrientes de cada receita publicada no livro. “É importante fracionar a dieta em seis pequenas refeições diárias”, recomenda. Na hora das compras do supermercado, acrescenta ela, deve-se priorizar produtos com menor teor de gordura e sal.
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Enjôos: conheça as causas do desconforto
Náuseas e vômitos a todo instante... Um grande mal-estar. Muitas grávidas relatam que no início da gravidez passam o dia praticamente no banheiro, vomitando. Nada pára no estômago. “Sentir enjôos na gravidez não é a regra, algumas mulheres sentem muitos enjôos, outras não sentem nada. A maioria, entretanto, apresenta um certo desconforto no primeiro trimestre da gravidez que pode ser administrado”, informa o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Gênesis, em São Paulo.
Embora não seja agradável para a mãe, o problema não costuma trazer prejuízos ao bebê. Exceto em casos graves, que afetam 1% das gestantes, em que os vômitos são tão fortes e constantes que é preciso interná-las para evitar o risco de uma desidratação.“
O responsável pelo mal estar é o hormônio da gravidez, o HCG, produzido ao longo dos nove meses. No primeiro trimestre da gestação, os níveis deste hormônio são mais altos para garantir um ambiente ideal para o desenvolvimento da criança. É ele que afeta a atividade cerebral, alterando o centro responsável pelo vômito”, explica o ginecologista. Segundo Aléssio Mathias, quase sempre, os enjôos cedem após a 12ª semana.
Para aliviar o enjôo, o médico recomenda que a gestante não fique em jejum. “Com a falta de glicose na circulação e o estômago vazio, as substâncias da digestão agem mais rapidamente, agravando as náuseas. O extremo oposto também não é recomendável. O estômago muito cheio pode trazer mal-estar porque trabalha mais lentamente durante a gestação.
Segundo ele, é importante que as grávidas se alimentem a cada três horas, fracionando as refeições. “Elas devem comer pouco e várias vezes ao dia”, explica o ginecologista.
Entre esses alimentos, valem as bolachas salgadas, bem como os alimentos ricos em carboidratos, pois elevam as taxas de glicose no sangue. “Torradas, biscoito de polvilho e macarrão leve são boas pedidas. Outros alimentos de fácil digestão e que ajudam a atravessar essa fase são saladas, grelhados, purês e gelatinas”, orienta o médico.
Outra recomendação é evitar os cheiros fortes. “Não sabemos ao certo o porquê, mas durante a gravidez, os sentidos da gestante fiquem mais aguçados, em especial o olfato e o paladar. Quando o vômito é provocado por um cheiro, a solução é manter distância do que provoca esse efeito: mudar de pasta de dente, pedir para o marido não usar determinado perfume e evitar o manuseio de produtos de limpeza são medidas que podem ajudar”, ensina Mathias.
Também é muito comum que os enjôos apareçam após oito horas de sono. É que a mulher passa a noite em jejum e pode acordar com a glicose baixa e desidratada. Como, em geral, levanta correndo e escova os dentes. O cheiro da pasta dental pode piorar tudo.
“A recomendação é ficar um pouco deitada e, antes de levantar, comer uma bolacha salgada ou tomar o remédio contra náuseas indicado pelo médico, acompanhado de uma bebida gelada como suco de limão”, informa o obstetra.
Limonada e suco de limão fresco aliviam o mal-estar da mesma forma que os gelados, como picolés, milkshakes e as frutas adocicadas. Já alimentos muito doces, quentes, gordurosos ou condimentados devem ficar fora do cardápio, reforça Mathias.