08 de julho de 2026
Saúde

Variação de gene pode aumentar em 47% risco de vício em cocaína


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Uma pequena variação em um único gene pode aumentar em 47% o risco de uma pessoa ficar viciada em cocaína. A descoberta, publicada na última na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), foi resultado do esforço conjunto de pesquisadores da Alemanha, da Inglaterra e do Brasil.

O primeiro alvo dos cientistas foi o gene CaMK4, presente em camundongos. Eles intuíram que o gene influencia os efeitos comportamentais da droga, pois participa das reações da célula a estímulos externos. Criaram então uma linhagem de roedores sem o gene.

Comparados a cobaias normais, os animais geneticamente modificados apresentavam maior predisposição à dependência e respostas locomotoras mais acentuadas à droga. Para aferir o nível de dependência, os pesquisadores cronometravam quanto tempo os camundongos permaneciam no compartimento onde recebiam injeções de cocaína. Os roedores sem o CaMK4 ficavam um tempo consideravelmente maior.

O próximo passo foi estudar o CAMK4, correspondente humano do gene do camundongo. Obviamente, não existem pessoas sem o CAMK4. Portanto, o método foi diferente do utilizado com as cobaias: os cientistas realizaram um pequeno inventário das principais variantes do gene encontradas na população. Chegaram a três formas muito semelhantes, mas que apresentavam pequenas diferenças em algumas bases.

Como o objetivo era descobrir se uma das variantes aumentava o risco de uma pessoa desenvolver o vício, os cientistas estudaram os genes de 670 usuários de cocaína e compararam com 726 indivíduos que não utilizam a droga. Essa fase da pesquisa ocorreu no Brasil e foi coordenada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Descobriram então que a incidência de uma das variantes - a rs919334 - era consideravelmente maior entre os usuários da droga. Segundo os resultados da pesquisa, o risco de se tornar dependente é 47% maior em indivíduos com a alteração genética.

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Começo

Jan Rodriguez, principal autor do estudo e pesquisador do Centro Alemão de Pesquisa sobre o Câncer, em Heidelberg, afirma que a descoberta estabelece o CAMK4 como um indicador de vulnerabilidade ao vício da cocaína. “Mas a dependência não é causada por uma variante específica de um único gene: é resultado da interação de vários genes e fatores ambientes”, ressalva Rodríguez.

Camila Guindalini, co-autora do estudo e pesquisadora do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também aponta que a pesquisa é só o começo. “Precisamos estudar outras amostras populacionais e investigar outros genes”, explica.

Rodríguez comemora a criação de um método eficaz para testar os efeitos da dependência de cocaína em cobaias e “traduzir” os resultados para seres humanos. “Será muito útil para estudar outras drogas também”, afirma o pesquisador.

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Acidez estomacal

Um grupo internacional de pesquisadores descobriu um gene que atua no controle da secreção de ácidos no estômago. Segundo eles, o estudo poderá ajudar no desenvolvimento de tratamentos mais eficientes para condições como refluxo gastroesofágico ou úlceras pépticas (no estômago ou duodeno). Os resultados da pesquisa foram publicados no site e em breve na edição impressa da revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

O gene descoberto é o Slc26a9. Manoocher Soleimani, professor do Departamento de Medicina da Universidade de Cincinnati, e colegas verificaram que, ao ser eliminado no organismo (o estudo foi feito em camundongos), a secreção de ácido foi suspensa. O ácido gástrico, formado principalmente de ácido clorídrico, é a principal secreção no estômago e ajuda o corpo a quebrar e a digerir os alimentos.

“Já conhecíamos qual era o gene que causava a secreção de hidrogênio no estômago, mas o gene que faz com que o ácido clorídrico seja secretado permanecia desconhecido. Quando eliminamos esse transportador específico em modelos animais, a secreção foi interrompida completamente. Os genes que secretam hidrogênio e cloretos devem trabalhar conjuntamente para que o estômago produza ácido e funcione normalmente”, explicou Soleimani.

“Um grande número de pessoas tem refluxo gastroesofágico - causado pela regurgitação de ácido do estômago no esôfago - ou úlceras pépticas - provocadas pela passagem do excesso de ácido estomacal até o intestino. Isso ocorre pela produção demasiada de ácido no estômago e os medicamentos atuais que ajudam a controlar tais condições costumam provocar efeitos colaterais indesejáveis”, disse Soleimani.