09 de julho de 2026
Saúde

Toques e Retoques: Cuidado com o câncer de pele no verão

Consultoria: Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 5 min

Prezado leitor,

Na semana passada foi realizada a campanha anual em todo o País para prevenção do câncer de pele. Este programa, de extrema importância, foi desenvolvido devido aos números cada vez mais alarmantes desta doença.

Sem desprezar as outras estações do ano, mas em especial no verão, é necessário tomar o máximo de cuidado com a exposição solar, pois o sol é o seu principal agente causador. A proteção solar é, portanto, a principal forma de prevenção da doença.

As pessoas mais propensas a desenvolver a doença são as de pele clara, ou seja, as que se queimam com facilidade e nunca se bronzeiam, ou se bronzeiam com dificuldade.

Além de câncer de pele, o sol em excesso é a causa do envelhecimento precoce (ou fotoenvelhecimento), além do aparecimento de manchas e de flacidez. Tomando certos cuidados, os efeitos danosos do astro-rei podem ser atenuados. Veja a seguir os tipos de lesões mais comuns.

Queratose Actínica

São lesões pré-cancerosas (ainda não são cânceres) decorrentes da exposição prolongada e repetida da pele ao sol no decorrer dos anos, desde o nascimento. Essas lesões podem malignizar.

Carcinoma Basocelular

É o tumor mais freqüente e com o menor potencial de malignidade. Seu crescimento é lento e muito raramente se dissemina à distância (a famosa metástase). Pode se manifestar como feridas que não cicatrizam ou lesões que sangram com facilidade devido a pequenos traumatismos.

Carcinoma Espinocelular

Este é mais agressivo ao anterior. Seu crescimento é rápido e as lesões maiores podem facilmente sofrer metástase. É comum acometer áreas de mucosa aparente, como boca e lábios e cicatrizes de queimaduras antigas, entre outras.

Melanoma

É o câncer de pele mais temido e perigoso. Freqüentemente envia metástase para outros órgãos, sendo de extrema importância o diagnóstico antecipado para a sua cura.

Ele pode surgir a partir de pintas escurecidas, que são os famosos nevos pigmentados. Apesar de ser mais freqüente nas áreas da pele comumente expostas ao sol, o melanoma também pode ocorrer em áreas de pele não expostas. Pessoas que apresentam sinais escuros na pele devem se proteger das radiações solares, pois esta pode estimular a malignização.

Por isso, qualquer alteração em pintas antigas, como mudança de cor, aumento de tamanho, sangramento, coceira, inflamação e surgimento de áreas pigmentadas ao redor do sinal justifica uma consulta ao seu dermatologista para a avaliação da lesão. Além disso, algumas características dos sinais podem recomendar o exame. Conheça a regra ABCD do melanoma:

lAssimetria: formato irregular;

lBordas irregulares: limites externos irregulares;

lColoração variada (diferentes tonalidades de cor);

lDiâmetro: maior que 6mm.

O melanoma, se diagnosticado precocemente, pode ainda estar restrito à camada mais superficial da pele, sem ainda emitir metástases para outros órgãos e pode ser curado pela retirada cirúrgica da lesão. Isso deverá ocorrer o quanto antes.

Tratamento

O tratamento é a retirada da lesão com uma pequena cirurgia na maioria das vezes ou através da destruição das lesões por radioterapia ou criocirurgia com nitrogênio líquido. Quanto antes a lesão for retirada, maior a chance de se curar a doença e de se evitar a disseminação de células cancerosas para outros órgãos (metástases), muito freqüente nos casos de melanoma não tratados.

Prevenção

1) Consulte seu dermatologista semestralmente para avaliação de sua pele e tratamento de eventuais lesões pré-cancerígenas;

2) Aplique filtro solar com fator de proteção igual ou superior a 15, aplicando-o generosamente pelo menos 20 minutos antes de se expor ao sol. Dê preferência para as versões em pó compacto para retoques freqüentes;

3) Use viseiras, bonés ou chapéus e fique protegido pelo guarda-sol, que bloqueiem ao máximo a passagem das radiações. Mesmo assim use o filtro solar, pois parte da radiação ultravioleta reflete-se na areia e atinge a sua pele;

4) Evite expor-se ao sol no período entre 10h e 15h. Esse período tem grande incidência de raios ultravioletas B, os principais responsáveis pelo surgimento de câncer da pele;

5) Não se esqueça de proteger os lábios e as orelhas, locais comumente afetados pela doença;

6) Observe se existem manchas na sua pele que estão se modificando, formando “cascas” na superfície e sangrando com facilidade, ou feridas que não cicatrizam e lesões de crescimento progressivo;

7) Não cutuque as lesões que apresentam crostas;

8) Proteja as crianças e oriente os adolescentes a se protegerem. A exposição solar acumulada durante a vida ocorrem desde o nascimento aos 20 anos de idade, sendo muito importante a proteção solar nesta faixa etária;

9) O bronzeado nada mais é que uma reação inflamatória da pele, portanto evite ficar exposta ao sol por tempo prolongado. Essas queimaduras solares acumuladas durante a vida predispõem ao câncer da pele;

10) As peles claras são mais propensas ao câncer da pele. Pessoas de pele muito clara raramente se bronzeiam, portanto não insista em querer se bronzear, você só vai se queimar e danificar sua pele;

11) O uso de filtro solar deve ser diário, pois mesmo em dias nublados uma boa parte da radiação solar atravessa as nuvens e chegam à pele;

12) Algumas áreas ficam expostas ao sol no seu dia-a-dia, como ao dirigir no trânsito ou em caminhadas. Portanto, use filtro solar nessas áreas, como orelhas, lábios, pescoço e colo, além das mãos e braços, evitando assim o dano solar que se acumula durante os anos.

Agora que você já sabe como cuidar da sua pele, fique atento com as pintas e sinais. Faça rotineiramente um auto-exame verificando se apareceram novas lesões ou se as elas se modificaram. Se notar algo diferente nesse sentido, procure o quanto antes seu dermatologista. Não tenha medo do diagnóstico, pois se for tratado precocemente o resultado será muito satisfatório. Cuide-se.