A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) iniciará o processo de substituição do papel por meio eletrônico na cobrança de boletos bancários. A expectativa é que o Débito Direto Autorizado (DDA) passe a vigorar no dia 19 de outubro de 2009. “O objetivo é dar maior agilidade no prazo da cobrança e evitar o extravio de documentos”, diz Leonardo Ribeiro, que coordena o projeto na instituição.
No DDA, o cliente pode optar por concentrar o recebimento de cobranças em seu nome em um único banco, por meio eletrônico, sem o recebimento da fatura de papel na residência. Nesse caso, o boleto é enviado pelo credor à instituição financeira por meio da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP). Esse processo irá durar um dia útil.
De acordo com Ribeiro, os clientes poderão optar em deixar algumas dessas cobranças em débito automático. Além disso, um grupo de estudo desenvolverá até outubro do ano que vem um sistema para apresentar ao correntista os dados do documento de cobrança, como o detalhamento de uma fatura de cartão de crédito.
No entanto, o coordenador não informou se a adoção do DDA representará uma redução no custo aos clientes, já que as instituições financeiras deixarão de arcar com os gastos de impressão e postagem. “A melhora da eficiência na cadeia deve se refletir no custo, mas não há estimativa”, afirmou.
A expectativa é que em três anos 50% dos boletos de cobrança estejam dentro do DDA. Segundo Joaquim Kavakama, presidente da CIP, 1,5 bilhão de documentos são compensados ao ano no sistema interbancário, chegando a 2 bilhões se considerado o processamento intrabancário. Os dados não incluem as contas de consumo (luz, telefone, água), que nessa primeira fase ficarão de fora desse projeto.
O presidente da CIP acredita que clientes e empresas irão aderir ao DDA devido ao seu apelo sustentável. De acordo com o executivo, a confecção desses boletos exige o consumo de 363 mil árvores e 1 bilhão de litros de água. A instituição terá custo de R$ 77 milhões no período de nove anos, prazo do contrato com a Tivit, que venceu a licitação para assumir o projeto. O valor aponta que ao menos 15% da quantidade de boletos de cobrança no País passem pelo sistema. Se o percentual for maior, a Tivit receberá uma remuneração adicional.