11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Região de Bauru alcança média de 2 celulares para cada 3 habitantes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Um aparelho pequeno, com apenas 18 anos de existência no Brasil, se tornou um artigo cada vez mais indispensável no dia-a-dia das pessoas, por encurtar as distâncias e ter se tornado objetivo de desejo entre os consumidores. Sejam empresários, executivos, liberais, empregadas domésticas, crianças, adultos, gente com PhD em física ou sem o ensino fundamental completo, não há quem nunca tenha possuído - ou ao menos desejado possuir - um telefone celular. Só na grande região de Bauru, com código de área 014, que abrange 100 cidades, existem ao menos dois celulares para cada três habitantes. De acordo com levantamento da Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel), são 1.577.278 telefones móveis em um território ocupado por 2.255.282 moradores.

Um dos mais revolucionários objetos contemporâneos de consumo, o telefone móvel facilitou a comunicação entre as pessoas, criou novos códigos de comportamento, reduziu os limites da privacidade dos indivíduos e modificou, de maneira inédita, a forma de o ser humano relacionar-se à distância com seus pares.

Atualmente, o total de telefones móveis já supera o de televisores no País. Graças à convergência tecnológica que deu margem ao surgimento de uma nova geração de aparelhos, como os smartphones, o iPhone e seu concorrente, Xpress, é possível levar o trabalho para a praia, monitorar o namorado ou os filhos na escola, marcar uma reunião de negócios ou um encontro com os amigos mesmo estando no meio do trânsito. Além de agilizar a solução de pequenas pendências do cotidiano, ter um celular confere status e aprovação social.

Quanto mais novo o modelo, mais “antenado” é o seu proprietário. Para suprir essa demanda que não pára de crescer, a cada estação, mais e mais aparelhos são lançados no mercado. E mesmo aqueles trabalhadores que recebem apenas um salário mínimo têm condições de ter o seu, afinal, as opções - e promoções - são infinitas.

“As despesas com comunicação cresceram muito nesta nova era. Em um primeiro momento, o valor do aparelho era muito proibitivo, depois se popularizou. Com o aumento da violência, por exemplo, os adolescentes se tornaram grandes consumidores desse produto”, avalia o economista Reinaldo Cafeo, pai de duas filhas, cada qual com seu celular.

‘Boom’

Diante deste “boom” no mercado das telecomunicações, a previsão é de que o mundo chegará à marca dos 4 bilhões de telefones móveis até o final do ano. Dados divulgados em setembro pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) indicam que a explosão do número de usuários vem ocorrendo especialmente nos países do chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), que já corresponde a um terço dos celulares no planeta. Há oito anos, o mundo contava com pouco mais 500 milhões de celulares.

No entanto, a projeção não significa que 4 bilhões de pessoas terão celulares até dezembro, já que, muitas vezes, um mesmo consumidor possui mais do que um terminal. Esse é o caso, por exemplo, da arquiteta bauruense Tatiana Ortiz Cardia, 33 anos.

Proprietária de três aparelhos, ela diz depender muito dos equipamentos para conseguir trabalhar, já que viaja muito e o sinal de uma ou outra operadora nem sempre funciona plenamente em algumas localidades. “Sempre carrego os três na bolsa. Tenho um de cada operadora, para garantir que não vou ficar incomunicável quando estiver em outras regiões do País”, revela.

Assinante de plano pós-pago, ela conta que troca os celulares a cada seis meses, quando acumula muitos pontos e os substitui por novos modelos. “Chego a gastar R$ 1 mil por mês com celular, porque dependo dele para tudo: para falar com a família e no trabalho, principalmente, quando estou em viagem. Por isso, acumulo pontos rapidamente”, explica.

De acordo com Cafeo, o interesse das empresas de telefonia é que os equipamentos, de fato, se tornem obsoletos e sejam substituídos com a maior constância possível. “E esse apelo de troca permanente do aparelho, inclusive, obriga as pessoas a assumir compromissos de 12 meses de fidelidade com a operadora, fazendo com que a possibilidade da portabilidade numérica vá por água abaixo”, aponta.

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Classe média compromete 10% da renda

O brasileiro de classe média chega a comprometer cerca de 10% de sua renda mensal com o pagamento de contas de telefonia. E, segundo o economista Reinaldo Cafeo, o aparelho celular figura como protagonista dessa realidade.

“O brasileiro usa muito o celular para fazer ligações, quando o certo era usar apenas para recebê-las. E também gasta muito com navegação na Internet e envio de torpedos, que são serviços de custo muito elevado”, frisa. Considerando todas as camadas sociais, os gastos correspondem a 5,5% do orçamento doméstico, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Num país em que metade das famílias têm rendimento per capita menor que um salário mínimo, as conseqüências dos gastos adicionais são previsíveis. “Se o dono do celular não tiver controle, vai acabar se endividando, entrar para o cheque especial, deixar de conseguir pagar a fatura do cartão de crédito... Essa situação se torna uma bola de neve”, observa o economista. Para ele, quem não consegue ser disciplinado no uso do aparelho deve optar pelo plano pré-pago, mesmo que as tarifas sejam mais caras, como uma forma de se precaver de desagradáveis surpresas no final do mês.

Projeções

De acordo com a assessoria de imprensa da Anatel, uma das metas do novo Plano Geral de Atualização da Regulamentação das Telecomunicações no Brasil (PGR) é levar a telefonia celular a todos os municípios brasileiros nos próximos dez anos. Em oito anos, todas as cidades com mais de 30 mil habitantes e 60% dos município com menos de 30 mil habitantes terão o serviço de banda larga disponível via celular.

Por enquanto, o fenômeno da multiplicação dos aparelhos no Brasil, e também no mundo todo, não tem data para cessar. Segundo projeções da Anatel, até 2015, o número de telefones móveis em todo o globo passará dos atuais 140 milhões para quase 275 milhões. Isso significa que a quantidade de terminais irá praticamente dobrar nos próximos sete anos.

Para se ter idéia da força dessa tendência, basta comparar a previsão de expansão da telefonia fixa até 2018: dos atuais 40 milhões de assinantes, em dez anos serão 50 milhões, um crescimento de apenas 25%.

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Fala-povo

Você consegue viver sem celular?

“Não. De dia, carrego no bolso e, à noite, coloco do lado da cama. Tenho celular desde o 12 anos, já troquei cinco vezes e não consigo ficar sem”, Jamyle Pereira, 18 anos, vendedora

“Acho que não. É um equipamento muito útil hoje em dia. Uso sempre para falar com minha família, que mora em Minas Gerais”, Maria Josiene dos Santos, 31 anos, dona de casa

“Estou há dois meses no Brasil sem celular e faz muita falta. Morava no Japão e usava sempre, mas ainda não juntei dinheiro para comprar um”, Ricardo Uemura, 44 anos, comerciante

“Não. Facilita muito, inclusive para trabalhar e falar com os parentes que moram longe. Não dá nem pra imaginar como seria viver sem celular”, Cilmar Ferraz, 41 anos, administrador