O prefeito virtual, bem antes do início da campanha, era o Caio Coube. O prefeito real, consagrado nas urnas, é o Rodrigo Agostinho. Nos locais que tenho freqüentado, muito se questiona: qual foi o motivo de mudança na preferência do eleitorado? Por força da atividade profissional que exerci no setor elétrico, era imperioso me relacionar com a comunidade, imprensa e políticos de todos partidos, em diversas cidades e estados. O primeiro cargo gerencial foi aos 23 anos (Marília e 14 cidades no entorno) e se prolongou por três décadas em outros centros (a Regional-Bauru abrangia 52 municípios). O exercício de cargo público só ocorreu após me aposentar da CPFL.
Fundamento nessa vivência, que me induzia estar focado às várias eleições ao mesmo tempo, aliada ao fato de no último pleito ter presenciado os debates entre candidatos e estar atento aos noticiários, quando a minha opinião sobre a “virada de Bauru” é solicitada, sem querer ser o dono da verdade, me atrevo a fazer um paralelo entre uma partida de futebol e o processo eleitoral ao cargo majoritário.
Em uma partida de futebol o time que está ganhando muitas vezes passa a administrar o resultado e fazer cera técnica - no popular: “cozinhar o galo”. Esquecem de aplicar outro ditado futebolístico: a melhor defesa é o ataque. Se o adversário marca um gol fica com o ânimo revigorado e, como dizem os narradores esportivos, “começa a gostar do jogo”. Ocupa os espaços e se não for contido, fica difícil manter a vitória. Pode haver o empate e até a virada.
Em uma eleição para cargo majoritário é comum o candidato que está bem à frente nas pesquisas, sob a orientação de marqueteiro, também passar a utilizar-se da estratégia de administrar a vantagem, conhecida no meio político como inércia. Mesmo não admitindo publicamente que está “cantando vitória antes do tempo”, a ordem é evitar tocar em pontos polêmicos. Participar de debates públicos entre candidatos, só se for imprescindível (se expor o mínimo possível - se fingir de morto). Tal qual no futebol, a estratégia adotada por quem está atrás nas pesquisas é a da audácia, cujas características são antíteses da inércia.
Na campanha eleitoral de Bauru, as estratégias adotadas pelas equipes dos dois candidatos finalistas foram distintas e ficou evidenciado logo nos debates iniciais do primeiro turno: Na Assenag, o Caio falou não ser oportuno se aprofundar na proposta de revitalização do centro, já o Rodrigo não se fez de rogado. Na OAB, Caio foi o único que não formalizou o compromisso proposto, justificando que precisaria do respaldo da equipe. Na USC, não deu posicionamento conclusivo sobre o passe-estudante e deu oportunidade ao Rodrigo, que o questionara, se posicionar e ser aclamado pelos estudantes.
Ficou claro que o marqueteiro da equipe do Caio, ao adotar a inércia como estratégia política para vencer no primeiro turno, subestimou o seu oponente. Não pesquisou sua história de vida e política, seu potencial, sua índole, sua audácia e ainda procurou desqualificar sua juventude. Ao estrategista, passou despercebido que os dados com que Rodrigo recheava sua fala, não eram apenas frutos de estudo e memorização, mas acima de tudo de “efetiva participação”. Na luta das estratégias, mais uma vez, a audácia superou a inércia.
O autor, Braz Melero, foi diretor regional da CPFL