08 de julho de 2026
Geral

Caminhão levava celular para a P1

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Um caminhão que levava matéria-prima para uma confecção de calças jeans instalada na Penitenciária 1 de Bauru foi flagrado anteontem com seis telefones celulares, seis carregadores e três fones de ouvido. A informação foi confirmada ontem pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, durante a revista de rotina feita no veículo, agentes de segurança penitenciária encontraram o material, que não entrou na unidade. Ele seria levado aos reeducandos. Um funcionário da empresa confessou ser o autor do delito, acrescenta a SAP. Ainda segundo a secretaria, a pessoa em questão foi encaminhada à Polícia Civil, que negou qualquer registro da ocorrência. O fato resultou numa apuração interna na P1.

No entanto, a assessoria de imprensa não esclareceu se a transportadora ou a empresa também estão sujeitas a alguma sanção em virtude do caso, que revoltou agentes penitenciários. Alguns deles informaram que o flagrante só foi possível porque houve denúncia. “Quantos celulares já não entraram desta forma? Só dá mídia quando é o agente que leva, mas a grande maioria é honesta. Dá a cara para bater e ainda é ameaçada”, diz um deles.

De acordo com ele, todos os funcionários, ao entrarem em serviço, são revistados. Seus pertences passam por detectores como os instalados em aeroportos. Já no caso dos caminhões, não. Por levarem muito material, seria impossível revistar cada um. No caso específico de anteontem, eram três mil calças jeans amarradas com sisal. Foi necessário passar tudo para outro veículo para que a revista fosse realizada.

“Entram uns dez caminhões por dia. É humanamente impossível fiscalizar. A análise é superficial. Só pegamos desta vez porque foi delatado”, comenta outro. Segundo ele, entram caminhões com vários produtos, como batatas e cocos, por exemplo. “Alternativas” como a flagrada anteontem ajudam a explicar a grande quantidade de celulares apreendida nas penitenciárias. A cada blitz habitual, realizada aproximadamente a cada trimestre, são apreendidos cerca de 50 aparelhos.

“A suspeita sempre recai no agente. Mas somos pais de família, honestos. Poucos são os maus profissionais, como ocorre em qualquer outra profissão. Imagine quantos celulares não entraram por caminhões?”, questiona. Pelo que a reportagem apurou, amanhã será realizada uma reunião entre os diretores de unidades penitenciárias de Bauru e o delegado seccional José Henrique Gomes dos Santos. A pauta do encontro, no entanto, não foi confirmada.