08 de julho de 2026
Geral

Sargento salva bebê pelo telefone

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Por volta das 19h30 de anteontem, o sargento da Polícia Militar (PM) José Donizeti Almeida atendeu a um telefonema fora do habitual. Do outro lado da linha, a dona de casa Angela Aparecida da Silva Lyria estava desesperada, pois seu filho de 6 meses não respirava após engasgar com o leite da mamadeira. A ligação durou dois minutos e orientadas por telefone, a mãe e a avó da criança conseguiram salvar a vida de Felipy da Silva Lyria.

Esse é o quarto caso registrado na região de Bauru nos últimos dois meses. O que surpreende é que nos três casos anteriores, o salvamento foi realizado por bombeiros, profissionais preparados para salvar vidas. Desta vez, a orientação foi transmitida por um sargento da PM, especialista em prestar atendimento a população e trabalhar com crimes.

“Em 25 anos de carreira, essa é a primeira vez que salvei a vida de uma pessoa por telefone. Geralmente esse tipo de ocorrência é atendida pelo Corpo de Bombeiros, mas quando ouvi o desespero da mãe, me senti na obrigação de ajudar. Não tinha como transferir a ligação para os bombeiros, eu perderia muito tempo com isso e, na ocasião, cada segundo era importante”, conta o sargento.

Pai de uma menina de 11 anos, o sargento Almeida afirma que as orientações transmitidas a Angela foram baseadas em seu aprendizado na PM e, principalmente, no papel de pai. “Sabia que a primeira coisa que devia fazer era deixá-la calma e para isso, fui um pouco áspero. Pedi para que ela deitasse a criança de lado e batesse em suas costas, pois era o procedimento mais fácil”, relembra.

“O correto era virar o bebê de cabeça para baixo, mas não tinha como explicar isso. Após dois minutos, a avó e a mãe de Felipy conseguiram salvá-lo”, acrescenta Almeida.

De acordo com Angela, a idéia de ligar para a PM e não para o Corpo de Bombeiros surgiu porque, no momento do desespero, foi o único telefone que veio à cabeça. “Pedi para a minha cunhada ligar, mas passei o número errado e, no desespero, ela ligou para a polícia. Na hora, o sargento me passava as orientações, eu passava para minha cunhada que por fim passava para minha mãe. Virou um telefone sem fio e, graças a Deus, conseguimos salvar meu filho”, conta. “Apesar de ter durado apenas dois minutos, pareceu uma eternidade”, complementa a mãe.

O sargento Almeida conta que o incidente aconteceu em um horário de pico, em que há muitas solicitações. “Ela teve sorte de ser atendida rápido, pois é um horário de muita ocorrência”, revela.

Após o final feliz, na tarde de ontem, o sargento Almeida conheceu Felipy e sua mãe. “É incrível e após esse caso eu me senti renovado. Na terça-feira, eu estava preocupado com outros problemas e ajudar a salvar essa vida me fez esquecer tudo. Valeu os meus 25 anos de polícia”, afirma o sargento. “Agora, eu vou prestar mais atenção e só quero saber de cuidar do meu filho”, finaliza Angela.