Roma - Os piratas que seqüestraram o superpetroleiro saudita Sirius Star no último fim de semana cobraram um resgate para liberar a embarcação e libertar os 25 tripulantes, informou ontem a TV Al Jazira, do Qatar.
O valor do resgate não foi informado. O navio, que seguia da Arábia Saudita para os Estados Unidos, está carregado com cerca de 2 milhões de litros de petróleo, uma carga avaliada em US$ 100 milhões e com 25 tripulantes.
Em resposta a uma pergunta relacionada ao pagamento de resgate o príncipe Saud al-Faisal disse: “Sei que os donos do navio-tanque estão negociando a questão. Não gostamos de negociar com terroristas ou sequestradores. Mas os donos do navio são os árbitros do que acontece lá.”
A ONU estima que eles já tenham ganho entre US$ 25 milhões e 30 milhões em resgates neste ano.
“Há negociadores no barco e em terra. Quando tiverem chegado a um acordo, o resgate será enviado ao petroleiro”, declarou à Al Jazira um homem apresentado como um dos seqüestradores.
“Garantiremos a segurança do navio que transportar o resgate. Contaremos o dinheiro de forma mecânica”, acrescentou o pirata, identificado como Farah Abd Jamekh, com sua voz dublada para o árabe.
O Sirius Star está ancorado desde ontem em frente à costa de Harardere, na Somália, 300 km a norte da capital Mogadíscio. A região é utilizada como base pelos piratas somalis que atuam na região do golfo de Áden e na costa nordeste da África. A companhia que opera o navio, a Vela Internacional - subsidiária da petroleira estatal saudita Aramco - afirmou que a prioridade é a segurança da tripulação, composta por dois britânicos, dois poloneses, um croata, um saudita e 19 filipinos.
A captura do Sirius Star foi a operação de pirataria mais espetacular realizada até agora pelos piratas somalis. Eles intensificaram as operações neste ano e mantém um número indefinido de navios seqüestrados em seu poder -as informações variam entre 12 e 17- e cerca de 200 reféns.
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Índia abate navio pirata; valor do seguro sobe
Mogadício - No maior ataque já registrado aos piratas somalis, a Marinha indiana afirmou ter afundado um navio-mãe de corsários no golfo de Áden, entre a África e a Ásia, na madrugada de anteontem.
Isso não impediu, entretanto, que os piratas seqüestrassem mais três navios e começassem a negociar o resgate do petroleiro saudita Sirius Star. Segundo nota da Marinha, o navio pirata foi abatido por um barco de guerra indiano que patrulha a zona, depois que seus tripulantes armados se recusaram a submeter-se a averiguação.
Seguro
A pirataria no golfo de Áden aumentou 140%. Os mais recentes alvos foram um pesqueiro tailandês, um barco grego e um cargueiro de Hong Kong. Os piratas ainda mantêm mais de uma dúzia de navios e 200 reféns.
Como o principal objetivo dos piratas é o resgate das cargas roubadas, cresceram os custos de transporte e de seguros das embarcações. Uma seguradora ouvida pelo “Financial Times” disse que o seguro por viagem de navio na zona de risco subiu de US$ 500 para US$ 20 mil.
As transportadoras mudam as rotas para evitar os bandidos - às vezes sem êxito, já que os piratas têm expandido sua área de atuação.