09 de julho de 2026
Articulistas

Instituto de Educação Ernesto Monte


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Após ler e reler tão alegres e confortadoras recordações de ex-alunos do nosso “Ernesto Monte”, transcritas na Tribuna do Leitor; no dia 28 de outubro, numa terça-feira, após as eleições municipais do 2º turno, deparei no JC, na página 10, com uma matéria ilustrada por fotos, da jornalista Lígia Ligabue, sobre uma terrível, espantosa, animalesca e revoltante pichação do nosso querido Instituto de Educação Ernesto Monte.

Tal fato podia não ter acontecido se nossa sociedade não viesse caminhando nos últimos anos, numa escalada de perda e esquecimento dos valores morais. Infelizmente, perdeu-se a noção exata do certo e do errado.

A saudade e a tristeza bateram forte no coração cansado do velho professor e ex-aluno, uma lágrima de revolta furtivamente rolou pela sulcada face. Cada um de nós traz no coração, a Escola que freqüentou, trabalhou e amou. Senti-me envolvido por um turbilhão de imagens e emoções. Quantas reminiscências guardo, impossível descrevê-las todas: são muitas pessoas, queridos funcionários, amigos, saudosos ex-alunos e professores com os quais convivi.

Aturdido, procurei refazer-me, indo embora pro passado, para o Instituto de Educação Ernesto Monte, onde fui professor de português e aluno.

Como aluno do curso clássico, com o uniforme, calças azul-marinho, sapatos pretos, camisa branca, gravata preta e ainda agasalho bege com zíper, em 1956, fui bater às portas desta Escola, na praça das Cerejeiras, cujo prédio em estilo severo e nobre, desafiando as afrontas do tempo e atestando o poder da educação se me apresentou como rica seara de esperanças, um viveiro de homens que ilustraram a minha querida Bauru quer como luminares nas diversas profissões, quer como pais cristãos e probos cidadãos. Núcleo de ciência e disciplina, mãe fecunda de sabedoria, o prédio do nosso Instituto de Educação tornou-se um foco de luz, árvore frondosa engrandecendo a nossa pátria.

Foi nesta escola que cruzamos nossos caminhos com pessoas que nos fizeram felizes e realizadas, pessoas a quem devotamos um grande afeto e quase devoção. Vêm à nossa lembrança inúmeros e inesquecíveis professores, uma encanecida plêiade de sábios mestres de extrema dedicação à causa do ensino.

Valeu a pena aquele tempo, embora um passado cheio de contradições.

Foi inegavelmente o despertar de valores perenes para a vida. Nossos antigos professores continuam, porém, a merecer nossa gratidão e respeito pelo ensino e educação que nos deram, em que pese o reconhecimento de erros e falhas que hoje, talvez, condenamos, Erraram sim, às vezes, nossos mestres, mas sempre com intenção de acertar. Tínhamos nesses professores os amigos em quem podíamos confiar, como também os amigos que questionavam o nosso modo de ser, nossa ética, nosso senso de justiça, provocando-nos, às vezes, até o nosso limite. Desse modo, formamos nosso caráter. Obviamente, não saímos do Instituto, perfeitos, mas devemos creditar a esses mestres parte das virtudes que conseguimos desenvolver ao longo de nossas vidas.

Conhece o leitor algo mais feio, tenebroso que uma escola de nossa cidade? Muros pichados, paredes sombrias, tudo irradiando o mal-estar de uma civilização que abraçou a morte.

É pensamento geral que não se pode configurar a pichação como crime, mas não há dúvida de que se trata de uma contravenção, devendo ser, portanto, reprimida.

Creio eu que pichações de bens públicos como as do “Ernesto Monte”, ou de casas e muros particulares à revelia do proprietário, não têm valor artístico, é puro vandalismo. E, como tal, deve ser coibido. Não se pode alimentar a expectativa de uma Bauru sem lei. É preciso ver as causas que levam a isso. E aí tomar decisões de conjunto.

A família tem a solução certa para reverter este quadro de crime da juventude. É preciso que os pais deixem de “brincar” de pai e assumam de verdade a própria missão, não só colocando filhos no mundo, mas educando-os a assumir a vida. Formar cidadãos conscientes é tarefa, enfim, de toda a sociedade, através de suas instituições. Sendo a escola uma influente instituição, cabe a ela também, contribuir para essa formação.

Em outros tempos, os valores morais e culturais se construíam sobre o tripé: família, escola e igreja. Infelizmente, hoje, a família está dilacerada. A escola, sucateada. A igreja, excomungada. No lugar, um novo e perverso tripé: a droga, a rua (a pichação) e a arma. A droga como estímulo. A rua, os bens públicos e particulares como palco. A arma, a lata de aerossol, como poder.

Como milhares de moradores desta cidade que tanto amamos e admiramos, como gostaríamos de vê-la, limpa!

O autor, Gino Crês, é professor - e-mail: ginocres@gmail.com