09 de julho de 2026
Regional

Sem-terra ocupam fazenda em Agudos

Por Davi Venturino | Com José Maria Tomazela
| Tempo de leitura: 2 min

Agudos - Cerca de 200 trabalhadores ligados ao Movimento dos Sem Terra (MST) ocuparam ontem de madrugada a sede da Fazenda Tangarás em Agudos (18 quilômetros de Bauru).

De acordo com a Polícia Militar (PM), a propriedade está localizada há cerca de 40 quilômetros do centro de Agudos. A área é arrendada para a Grupo Zilor para o cultivo de cana-de-açúcar. “A Zilor mantém contratos de arrendamento de terras para cultivo de cana-de-açúcar na Fazenda Tangará”, confirma a assessoria do Grupo em nota divulgada à imprensa.

Segundo o JC apurou, a ocupação foi pacífica. O grupo de sem-terra teria vindo da região de Agudos e de Iaras, durante a madrugada, e ocupado a sede a fazenda. Eles armaram barracas e hastearam bandeiras do MST no local.

Os sem-terra não teriam feito objeção para que os equipamentos e tratores fossem retirados da fazenda e nem impedido o corte da cana-de-açúcar, que já estava pronta para a colheita.

A assessoria da Zilor informou que os proprietários da fazenda vão pedir a reintegração de posse da área. “Em face da invasão dessa fazenda, os proprietários e legítimos possuidores estão ajuizando ação de reintegração da posse junto ao Poder Judiciário”, diz em nota.

Mais invasão

Também foi ocupada a Fazenda Marruá na divisa dos municípios de Iaras e Agudos. Os sem-terra cortaram as cercas e iniciaram a montagem dos acampamentos próximo das respectivas sedes. As fazendas estão ocupadas com lavoura de cana-de-açúcar.

O coordenador estadual do MST, Delweck Matheus, disse que as terras já foram consideradas improdutivas em vistoria realizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). “Queremos o assentamento imediato das famílias.” Os proprietários arrendaram as terras para o plantio de cana na tentativa de maquiar a improdutividade, segundo ele. “Estamos propondo a reforma agrária como alternativa para o etanol, um modelo que está falindo com a crise internacional.” Matheus disse que os arrendatários foram autorizados a colher a cana já plantada. “São eles que estão usando a terra e não os donos.”

Desde 1995, o MST está na região de Iaras, quando 300 famílias ocuparam a Fazenda Capão Rico de 2.558 hectares. Segundo o líder, além de comemorar o aniversário da instalação do assentamento Zumbi dos Palmares, as ocupações marcam a retomada das ações do MST na região. “São mais de 10 mil hectares de terras a serem destinadas à reforma agrária.” Dessas, mais de 4 mil hectares são terras particulares dadas como improdutivas e incluem, além das glebas invadidas hoje, as fazendas Suinã, Ponte e Nossa Senhora de Fátima. Outros 6 mil hectares seriam terras da União ocupadas por fazendeiros. “Nosso plano de ação para 2009 inclui a transformação dessas terras em assentamento para criar aqui um pólo de produção”, disse Matheus.

Em abril deste ano, integrantes do MST já haviam invadido a fazenda Turvinho, da empresa Cutrale, na mesma região. Também ocuparam, durante o chamado “abril vermelho”, uma área do grupo cervejeiro Ambev em Agudos.