10 de julho de 2026
Nacional

Banco do Brasil fecha compra da Nossa Caixa por R$ 5,4 bi

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Seis meses após o anúncio oficial do início das negociações, o Banco do Brasil anunciou ontem a compra do controle do banco estatal paulista Nossa Caixa por R$ 5,386 bilhões. O pagamento será em 18 parcelas de R$ 299,25 milhões, corrigidas pela taxa básica Selic, a partir de março de 2009.

O negócio marca a entrada, de fato, do BB na atual corrida de consolidação do sistema financeiro nacional, que se acirrou no final do ano passado com a compra do Banco Real pelo Santander e agora com a fusão entre Itaú e Unibanco.

Para fechar o negócio, os governos federal petista e estadual tucano passaram por cima de possíveis rivalidades políticas e se juntaram contra os interesses dos maiores bancos privados, que foram a público pedir um leilão de privatização, como acontecia nos anos 1990.

Com a Nossa Caixa, o BB atinge a liderança em número de agências no Estado de São Paulo, a mais importante praça do País e que até 2007 ocupava um modesto quarto lugar. Juntos, BB e Nossa Caixa somarão 1.324 agências - posição superior aos 1.240 postos de atendimento de Itaú e Unibanco e de 1.204 de Santander e Real. O Bradesco, que tem 1.168 agência e ocupava a liderança no Estado antes da fusão Santander/Real, cai agora para o quarto lugar.

O presidente do BB, Antonio Francisco de Lima Neto, afirmou ontem que sem a Nossa Caixa o banco estaria agora em uma posição desvantajosa para competir no varejo bancário, após as uniões de Santander e Real e Itaú e Unibanco. “O negócio teve uma lógica desde o princípio. A gente ia ter de correr atrás se não tivesse agora a Nossa Caixa”, disse.

Já o governador José Serra afirmou que quer usar o dinheiro da venda para financiar investimentos de micro e pequenos empresários: “Nunca achei que governo estadual devesse ter um banco comercial, embora respeite quem tem”.

Com a Nossa Caixa, o BB soma R$ 512 bilhões em ativos, mas ainda não consegue recuperar a liderança perdida para Itaú/Unibanco, que juntos somam R$ 575 bilhões em ativos. Em depósitos, porém, o BB segue na liderança com R$ 158,6 bilhões, sendo R$ 48,6 bilhões -R$ 15,8 bilhões vindos da Nossa Caixa- provenientes de contenciosos judiciais, uma captação considerada barata e que interessava a todos os bancos. Além de não ter direito a receber os depósitos judiciais, Itaú/Unibanco somam só R$ 60,5 bilhões em depósitos.

A previsão é que a incorporação da Nossa Caixa comece em março, após a aprovação dos órgãos reguladores e respectivos acionistas, incluindo a Assembléia Legislativa paulista. A partir daí, a expectativa é que a incorporação demore só um ano, sendo que a marca Nossa Caixa deverá deixar de existir no final desse processo.

O vice-presidente do Banco do Brasil, Aldo Mendes, disse ontem que não mais que 30 agências precisarão ser fechadas em locais que, por razões econômicas, não caberiam duas agências - uma do BB e outra da Nossa Caixa. “A sobreposição é muito menor do que pensávamos no início”, afirmou.