São Paulo - Um incêndio na madrugada de ontem destruiu cerca de 100 barracos da favela da Rocinha, na região do Campo Belo, zona sul de São Paulo, segundo os bombeiros. Uma menina de 1 ano e dez meses está desaparecida e, segundo a prefeitura, cerca mais de 800 pessoas ficaram desabrigadas. Ninguém ficou ferido.
Segundo os bombeiros, o fogo começou às 4h10 e destruiu uma área de aproximadamente 3 mil metros quadrados - a favela tem 17.010 metros quadrados. O incêndio foi controlado por volta das 5h30, após o envio de 15 caminhões-pipa e 60 bombeiros ao local.
No final da manhã, os bombeiros encontraram vestígios de um corpo “com características humanas” carbonizado, que suspeitavam ser do bebê. Mas até a conclusão desta edição a informação não havia sido confirmada pelo IML.
“Acordei com o fogo já dentro do meu barraco. Perdi tudo”, contou a diarista Gildete Moreira, moradora da favela há quatro anos. Duas geladeiras, fogão, tanque de lavar roupas, camas, TV, videogame e DVD foram perdidos em cerca de uma hora. “Só deu tempo de sair correndo com a minha filha, de 11 anos. Só ficou a roupa do corpo”, contou, com mãos trêmulas e olhos marejados.
O coronel dos bombeiros João dos Santos de Souza disse suspeitar de incêndio criminoso. Entretanto, a possibilidade de um acidente envolvendo vela, fogueira ou curto-circuito ainda não havia sido descartada, segundo oficiais no local.
A maior parte dos barracos atingidos era de madeira - alguns com mais de um pavimento -, o que, segundo Souza, facilitou a propagação das chamas. O incêndio só não foi maior, disse ele, porque casas de alvenaria em volta dos barracos ajudaram a conter o fogo.
Na Rocinha vivem cerca de 6 mil pessoas, em 1.500 casas, segundo dados da Secretaria de Habitação. O terreno é da prefeitura e foi invadido em 1990. A Subprefeitura do Jabaquara cadastrou os moradores prejudicados, que receberão mantimentos, colchões e cobertores. A maioria ficará temporariamente em casas de parentes e cerca de 10% devem ser abrigados em escolas e galpões.
Outros casos
Moradores afirmaram que este foi o sexto incêndio na região nos últimos anos. Em dezembro de 2007, um incêndio deixou cerca de 70 famílias desabrigadas na favela Alba, vizinha à Rocinha. O subprefeito do Jabaquara, Heitor Sertão, disse que o ambiente “é muito propício a incêndios”, que “volta e meia ocorrem” na região. A subprefeitura diz que pretende remover as famílias até 2012.
A mãe do bebê, Adelina Bárbara do Nascimento, 32 anos, depôs no 35.º DP (Jabaquara). Segundo a polícia, ela afirmou ter saído de casa no meio da madrugada para comprar leite enquanto a menina dormia e, quando voltou, o barraco já estava em chamas.