08 de julho de 2026
Nacional

‘É hora de ter mulher no Planalto’

Por Roberto Machado | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Apesar de não admitir oficialmente a candidatura à Presidência - já defendida publicamente pelo próprio presidente Lula -, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deu ontem, em evento para empresários realizado no Rio, um sinal claro de seu entusiasmo com a idéia.

“Acho que a participação das mulheres no mundo está na hora. E aí está na hora de presidente, de presidente das empresas. E isso está sendo cada vez mais reconhecido. Foi-se a época em que a mulher era considerada cidadã de segunda qualidade, que só podia participar de algumas atividades”, disse ela.

Na entrada de uma reunião em homenagem à diretora da Petrobras Maria das Graças Foster, Dilma fez uma referência indireta ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama.

“Esse século 21 é o século dos negros, das mulheres, e acho que isso vai ser muito bom para o mundo, porque diz respeito a uma parte significativa da população”, afirmou a ministra.

Questionada se estava assumindo publicamente a candidatura presidencial, preferiu desconversar: “Não estou cogitando neste momento. Estou falando em tese. Qualquer consideração a respeito vai dar origem a um tipo de avaliação que não é ainda o que está maduro”.

Em entrevista a jornais italianos, na semana passada, Lula disse que Dilma seria a pessoa certa para sucedê-lo: “Depois de mim, quero que o Brasil seja governado por uma mulher. E a pessoa certa é Dilma Rousseff”.

Ontem, observando que Lula ainda não formalizou diretamente a ela qualquer convite, Dilma comentou as declarações: “Obviamente que qualquer pessoa se sente bastante gratificada em ser pensada para um cargo dessa magnitude”.

A entrevista foi interrompida por sucessivas intervenções do presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), o ex-deputado federal Márcio Fortes, político do PSDB ligado ao governador José Serra. Educadamente, Fortes procurava encaminhar a ministra para o salão em que o evento seria realizado.

Provocada pelos jornalistas sobre a coincidência - um militante do PSDB interrompendo a entrevista de uma provável candidata do PT-, a ministra reagiu com bom humor: “Pois é, e nós gostamos que o Serra dê entrevistas”. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Serra é apontado como o provável candidato do PSDB em 2010.

Lágrimas

No discurso em homenagem à diretora da Petrobras, escolhida executiva do ano pelo Ibef, a ministra Dilma Rousseff defendeu as ações do governo para tentar minimizar os efeitos da crise financeira.

Ela declarou que novas medidas para estimular o mercado interno serão adotadas se houver necessidade. Segundo ela, os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) serão mantidos.

No final do evento, em seu discurso sobre Foster, a ministra se emocionou - ensaiando até algumas lágrimas- ao lembrar que sua amizade com a diretora da Petrobras se intensificou ao longo dos últimos anos, quando ambas trabalharam na elaboração da política energética e na infra-estrutura que possibilitou ao país importar e produzir gás natural.