O volume de recursos que a Caixa Econômica Federal (CEF) emprestou a pequenas e microempresas da região de Bauru já superou todo o montante concedido em 2007. Entre janeiro e outubro deste ano, o banco liberou R$ 182 milhões a este setor produtivo, número inferior aos R$ 168 milhões correspondentes aos financiamentos firmados nos 12 meses do ano passado.
E, até dezembro, o valor disponibilizado promete ser ainda maior já que, nesta semana, o banco anunciou a liberação de mais R$ 3,9 bilhões para financiamentos voltados aos negócios de pequenas e microempresas de todo o Estado de São Paulo. Desse montante, pelo menos R$ 220 milhões devem ser destinados à região de Bauru, se o ‘bolo’ for dividido igualmente entre as 18 superintendências da CEF dentro do território paulista.
“Mas este é só um parâmetro. Geralmente, a divisão é feita de acordo com a demanda. Não há como prever antecipadamente o valor que virá para a cidade, mas certamente esses recursos serão mais do que suficientes para atender o empresariado”, explica o gerente regional da Caixa em Bauru, Vanderson Vieira Freddy.
De acordo com ele, o acréscimo de recursos foi necessário em função do ritmo de expansão da demanda por financiamentos maior que o previsto. “As empresas estão investindo mais e a procura também aumentou porque as taxas de juros da Caixa continuam baixas, mesmo depois da crise”, conta.
Ele explica que as linhas de crédito para pessoa jurídica foram mantidas com as mesmas condições de juros e prazos vigentes antes do surgimento da instabilidade econômica internacional. Com taxas a partir de 0,83% ao mês (mais Taxa Referencial), os empresários podem dispor de capital de giro de até R$ 50 mil, com prazos de pagamento de até dois anos.
Para quem deseja ampliar ou modernizar seu empreendimento, o crédito pode chegar a R$ 10 milhões, com taxas a partir de 3,8% ao ano, acrescidas da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e parcelamento em até cinco anos. “Nós trabalhamos com financiamentos para a indústria e empresas de prestação de serviços. Mas a maior parte das aplicações em Bauru é feita junto ao setor de comércio”, observa Freddy.
De acordo com o gerente, a maioria dos empresários realiza o empréstimo como estratégia para reduzir custos na compra de matérias-primas, já que, negociando o pagamento à vista com fornecedores, obtêm bons descontos que acabam cobrindo os juros do financiamento. De olho nesta solução econômica, na semana passada Márcio Valério Braz de Castro, proprietário de uma fábrica de cordas de Bauru, emprestou R$ 35 mil da Caixa a juros de 0,83% ao mês.
“Quero pagar o décimo terceiro (salário) dos meus funcionários e guardar o resto para uma oportunidade de compra de mercadoria mais barata”, detalha. Este é o segundo ano seguinte que o pequeno empresário lança mão do financiamento e não se arrepende. “Acho que o prazo de pagamento desta modalidade (capital de giro) poderia ser um pouquinho maior, mas mesmo assim compensa”, destaca.
Para obtenção das linhas de financiamento, o empresário deve dirigir-se a uma das agências da Caixa portando os documentos necessários para avaliação da empresa, cuja relação está disponível no site do banco (http://www1.caixa.gov.br/download/index.asp).
No Estado
De janeiro a outubro deste ano, a Caixa emprestou cerca de R$ 5,6 bilhões às empresas do Estado. Esses números correspondem a um aumento de 12,7% em relação ao mesmo período de 2007, quando o banco investiu R$ 5,01 bilhões. Até o final do ano, em todo o Brasil a CEF disponibilizará R$ 20 bilhões para financiamentos voltados a micro e pequenas empresas. Com isso, o banco elevará para R$ 49 bilhões o potencial de concessões para a expansão do setor em 2008.